domingo, 8 de maio de 2011

A fórmula simplista

 Não sei se quero que descubras. Por um acaso,
 que a ardência de suas orelhas, 
 resulta de minhas tantas conversas sobre você.
 Mas, não se encabule. 
 São só conversas minhas,
 espelhadas, sobre você.

 Sei que lhe doem as orelhas, avermelham.
 Pensei que pensar. Talvez. Quem sabe,
 pudesse amenizar a dor.
 Me enganei, agora nem falo mais.
 Penso rápido, e já me basta.

 E se ainda assim
 arder-lhes as orelhas,
 não se preocupe. Pararei.
 Mas, não pense que é definitivo.
 Afinal, gastei minhas semanas a pensar
 em como posso não gastar suas pupilas-orelhas.


Descobri uma forma de não avermelhá-las 
(A qualquer momento)
Porém, admito, ainda vai lhe doer. 
Por algum mísero tempo. 
Mas, advirto, será curto, breve.
Aliviará em instantes.

A fórmula é escrever.
Gastar algumas linhas, 
sobrevoando sua áurea.
Traçar algumas palavras e,
 quando eu sentir que basta.
Apenas coloco um ponto final.


PS: Mas volto em outro dia.





Magalli Lima

sábado, 7 de maio de 2011

MERDA


"Um dia vocês esquecerão de mim até o momento em que ouvirem falar do lançamento de um filme chamado MERDA". Essa foi a frase que saiu da minha mente doentia na semana passada, quando estava a conversar com alguns amigos. E para falar a verdade, espero que isso aconteça, ressurgir na mente de quem me esquecer, por causa de MERDA. 

Merda é uma palavra que me acompanha desde sempre, faço uso dela quando perco a chave de casa, esqueço o cartão do restaurante universitário ou quando vejo coisas engraçadas. Merda entra em todo o lugar, e sempre que percebo alguém fazendo cara feia para as minhas merdas, voluntariamente, passo a melar com mais merda ainda as minhas palavras. Somos todos podres, então, não me venha com conversinhas alheias de que a escolha de minhas palavras refletem o que sou. E como explicar todas aquelas figurinhas repetidas que se espelham na conduta "de um santo", mas são tão merdas quanto os outros tantos?

Cansei e me canso todos os minutos de quem reprime a merda. Poucas são as pessoas que me fazem voltar os olhos a seus detalhes, e são exatamente essas que sabem falar uma boa MERDA quando necessário. A merda pode ser pejorativa ou bonitinha, contanto que esteja lá. E começo já a pensar em como seria um filme com o nome de merda. Estilo O cheiro do ralo? ou Saneamento básico? Com um roteiro cômico ou embaraçoso? Por enquanto, só sei que se chamará MERDA .

Agora me despeço, pois tenho algumas merdas a resolver. E quem não as tem? Me diga.



Magalli Lima

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Cadeira Azul

É que em uma noite clara, a cadeira azul me chamou, disse que me aquietasse nela.
A cadeira azul, é a minha máquina do tempo. Sábia, me mostra todos os caminhos. Já me deu lágrimas, já me trouxe saudades, já me fez cair para baixo do chão, já me acreditou... já me. Honesta, sempre aceita minha companhia nas tardes de café, mas frisa: Não se acostume.

A cadeira azul já chegou velha, vivida, mesmo sem recalcar o passado. É no estofado amarelado e amassado que sinto o tamanho de seu conforto e, juntamos nosso acalento ao lembrar que já estou gastada da vida, igualmente a ela. Sabe ninar com suas rodinhas nos pés, e eu lhe mostro quão valiosa ainda é. 

Um dia meu peso foi doído em suas estruturas, e lhe dei um descanso. Justo comigo, que sempre recebi os conselhos amarelados dessa cor azul. Agora, começo a me transformar em mais um peso que condena sua valia desgastada. Compreendi, afinal, o peso da vida nunca priva um só ser, e agora, aos poucos, sentirei os ombros caírem. Meu elo com ela crescerá, assim como a capacidade de dar bons conselhos. 

Pois, ser velho é isso, é dar bons conselhos. Ter competência nas palavras. Exalar um clima de respeito, com essência de aconchego. E quem dúvida dessa fase, passará por ela como uma pedra seca, ou nem passará. Mas, se eu chegar lá não terei a cadeira azul. Talvez uma vermelha, ou preta, mas não a azul. Quem sabe, nessa fase eu seja a cadeira azul. Agora que já estou a aprender a usar pontos.  





Magalli Lima