terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O brilhante infeliz

Olhos secos não querem dizer amargura, o significado nunca está certo.
Correr demais e não saber o porque, mas não é medo, não é medo.
Jornais desinteressantes, não é você, são mesmo uma monotonia egoísta e passada.
Copos de café cada vez mais vazios, a sobriedade quer se manter viva.

Conspirar não dará certo, deixe tudo como está e ninguém vai perceber.
Não existe sorte, beije o que conquistou e seja feliz.
A falta de tudo sempre vai causar dor, não minta pra si mesmo, você perdeu.
Está tudo bem, não despreze a felicidade que te mantém ácido.

Ninguém disse que enxergar o que poucos vêem seria fácil,
mas não finja que dá para recomeçar, apenas mate quem inventou essa palavra.
Desprezível índole que lhe faz ser um enigma, pessimismo é mesmo seu ingrediente.
Suar com a alma é para poucos, apenas continue.

Sem ardor no coração, sem danças no fim das contas, e o que é tão ruim assim?
Não seja ridículo, não se limite ao frívolo,
apenas lembre-se: Não procure lástimas em um copo com álcool,
pois encontrará nele o mais belo e fiel dos romances.
Acredite, um dia será o melhor brilhante infeliz que o mundo há de se imaginar.





Magalli Lima

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um jeito estranho


As tardes vazias frustram, e o silêncio lhe apresenta todo o dia um novo 'eu'.
Desacredita fácil nas coisas, depois volta a acreditar com um pé atrás e a língua afiada.
Gosta de todos, e é gostada de uma forma superficial, desgastada aos poucos.
Ainda possui o elo forte de amor de família, mas não sabe demonstrar, e esse AINDA sempre será assim.
Deseja tudo, mas pode pouco, se limita como uma peça dispensável a qualquer momento e situação.


Não se encontra, não se conhece, mas sabe que está lá. E dói quando não notam.
Cria muitos feitos, a fim de mudanças, mas na verdade, nada muda.
Acha que sabe demais, e a seriedade está ai pra provar.
Poucos conseguem sentir com sensibilidade o aroma que tem.
É chorona de cobertores na calada da noite e atriz hollywoodana no silêncio dos dias.
Quer a liberdade, consegue imaginá-la, mas é fraca demais para alcançar.
Joga tão bem que nem sabe distinguir mentiras de verdade, mas vive no infinito da sinceridade.


É contida por fora, e explosiva por dentro, grita para a própria alma a infâmia de viver.
Quando está bem se esquiva, quando está mal se esconde.
Tem medo do escuro e de almas. Mas deseja reencarnar em alguém que valha a pena.
Sabe que um dia vai enlouquecer, mas espera que isso aconteça quando tiver um lugar próprio. 


Descobriu que pensar demais causa náuseas, espasmos, dor na coluna e dor de cebola cortada na retina. 
Apaga a si própria, já não tem mais cor, nem imagem no espelho, até os defeitos somem.
É apenas um vulto que passará cada dia mais rápido e sem deixar rastros, só anseios.