quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Cadeira Azul

É que em uma noite clara, a cadeira azul me chamou, disse que me aquietasse nela.
A cadeira azul, é a minha máquina do tempo. Sábia, me mostra todos os caminhos. Já me deu lágrimas, já me trouxe saudades, já me fez cair para baixo do chão, já me acreditou... já me. Honesta, sempre aceita minha companhia nas tardes de café, mas frisa: Não se acostume.

A cadeira azul já chegou velha, vivida, mesmo sem recalcar o passado. É no estofado amarelado e amassado que sinto o tamanho de seu conforto e, juntamos nosso acalento ao lembrar que já estou gastada da vida, igualmente a ela. Sabe ninar com suas rodinhas nos pés, e eu lhe mostro quão valiosa ainda é. 

Um dia meu peso foi doído em suas estruturas, e lhe dei um descanso. Justo comigo, que sempre recebi os conselhos amarelados dessa cor azul. Agora, começo a me transformar em mais um peso que condena sua valia desgastada. Compreendi, afinal, o peso da vida nunca priva um só ser, e agora, aos poucos, sentirei os ombros caírem. Meu elo com ela crescerá, assim como a capacidade de dar bons conselhos. 

Pois, ser velho é isso, é dar bons conselhos. Ter competência nas palavras. Exalar um clima de respeito, com essência de aconchego. E quem dúvida dessa fase, passará por ela como uma pedra seca, ou nem passará. Mas, se eu chegar lá não terei a cadeira azul. Talvez uma vermelha, ou preta, mas não a azul. Quem sabe, nessa fase eu seja a cadeira azul. Agora que já estou a aprender a usar pontos.  





Magalli Lima




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