segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Percepções





O quarto escuro, com poucas brechas de luz, avisa que já hora de se levantar. Acordado ele já estava desde a madrugada, pois o barulho da janela atravessou o seu sono. Mesmo assim, permaneceu deitado, sem coragem para olhar a hora, até que o celular apontou às 7h da manhã. Não havia ânimo, vontade e nem objetivos para enfrentar aquele dia. Era só mais um dia, cansativo como todos os outros.

Puxou o cobertor para o lado, respirou fundo - como se estivesse numa preparação para enfrentar uma guerra - e ficou de pé. Foi uma noite quente, e as noites quentes costumam sugar a força de qualquer ser, até mesmo do cachorro de estimação que nem se atreveu a latir cedo para acordar a todos da casa. Na ida ao banheiro percebeu que uma teia de aranha havia atravessado a porta. "Nem mesmo a aranha nojenta conseguiu dormir".

O reflexo no espelho mostrava as feições de uma pessoa acabada. Suado, com olhar sofrido e marcas de insônia. Só escovar os dentes não resolveria aquela aparência, então tratou de tomar banho. Banhos sempre são bons, revigoram, mas aquele chuveiro era assustador. Havia um fio desencapado que sempre soltava faíscas enquanto a água caia. Todas as vezes que ele olhava para cima sentia a sensação de que o chuveiro falava: Eu posso te matar em segundos, seu idiota!

Morrer eletrocutado dentro do banheiro deveria ser uma morte dolorida, já que, choques parecem ser aterrorizantes. Mas a pior parte era mesmo morrer pelado. Vergonhoso. Por isso, ele sempre se apressou no banho, no máximo cinco minutos debaixo da água e já sai num pulo do box. Sente como se estivesse driblado a morte, estilo o filme “Premonição”.

Saiu do banheiro ainda nu. Apesar de achar que morrer pelado era vergonhoso, andar sem roupas pela casa era deslumbrante e dava a sensação de liberdade. O cachorro, ainda deitado, olhou para ele como se quisesse dizer “seu corpo de passarinho desnutrido me enoja”. Mas não importa, cachorros não falam, só pensam. E enquanto só pensarem continuarão a ser os melhores amigos do homem.

Ele foi para a cozinha procurar algo para comer. O pão de forma estava vencido há uma semana, mas ainda dava para aproveitar.  O leite era desnatado, tão sem gosto e ralo que parecia ter vindo de uma vaca desnutrida e anêmica.  Enquanto preparava o pão, a mãe chegou à cozinha e levou um susto ao ver o filho. “Meu filho, o que você tá fazendo pelado na cozinha? Que coisa horrível!!!”. 

Esperou o café forte da mãe ficar pronto, bebeu e foi logo para o quarto colocar uma roupa. Hoje é dia de encontrar a namorada antes da aula. Então, nada de usar blusas sujas, calças velhas ou o all star furado. Passou perfume, desodorante, pegou a mochila, o boné e saiu.  Na rua, ligou para ela: “Oi, tudo bem linda?... Já to chegando, onde você tá?.... Tá bom, até mais, beijo”. Desligou o celular e ficou pensativo. “Será que ela tá chateada comigo? Me tratou mal”

Os passos começaram a ficar lentos. E a única conclusão a que conseguiu chegar foi: “Ela vai terminar comigo, droga!!! Eu juro que me mato se ela fizer isso. Eu morro eletrocutado no chuveiro, de roupa é claro”. Inconformado, continuou andando devagar. Agora precisava de argumentos para que a namorada não terminasse com ele. Ou, tinha também a opção de tentar descobrir porque ela, afinal, iria querer terminar o namoro (?).

Pensou. Não conseguiu chegar a uma reposta sequer, pois ele mesmo se considera um bom namorado. Aprendeu a tocar vilão só para ela, está sempre disposto a conversar, sabe de tudo o que ela mais odeia, e o que mais ama também. Sempre lhe presenteia, a leva para sair, não é pegajoso e já disse um "Eu te amo" por três vezes, mesmo sem ela responder nada. 

Sentou-se no ponto de ônibus onde os dois combinaram de se encontrar. E os pensamentos continuaram a fluir. Recordou-se da vez em que compôs uma música para ela, e só recebeu um "obrigada" e um beijinho no nariz. Do dia em que foi conhecer o pai dela e foi surpreendido com a frase: "Pai, esse aqui é meu grande amigo". E também da noite em que escutou ela conversando com a amiga e dizendo que estava enrolada com um "cara aí".

"Droga, ela é uma vadia sem coração e eu sou um idiota cego!". Ela nunca se importou com ele, nem sequer se preocupou em chegar na hora certa, já estava atrasada há dez minutos. Vive com aquele ar de superioridade como se quisesse dizer "Eu sou muito melhor que você, portanto EU mando nessa relação". Ele, definitivamente, estava inconformado e revoltado com as conclusões.

Quando percebeu lá vinha ela, na esquina. Com aquele sapato irritante que faz barulho, aquelas unhas pintadas com cores vibrantes e brochantes e a maldita bolsa de flores, que nunca-cabe-nada-dentro. O jeito de andar se igualava a um cachorrinho chihuahua e, quando ela se aproximou, surgiu o cheiro horrível do perfume de vômito azedo que ele sempre odiou. 


Não era possível que aquele "ser" pudesse COGITAR a ideia de terminar o namoro com ele. "Quem ela pensa que é? EU é quem mando nessa relação hipócrita!". Afinal, em toda a relação sempre tem um que se destaca mais que o outro. Um é sempre o que encanta, o outro é quem foi encantado. E adivinha quem ele queria ser? Bom, o resultado foi um tapa na cara (dele, é claro) quando ela ouviu a frase: Você é insignificante para mim!


E depois do tapa ele se manteve intacto. Ela? A essa altura já estava na outra esquina chorando sem entender nada. Os dois nunca mais aconteceriam. E quando ele olhou para o lado viu uma coruja na árvore o observando com os olhos arregalados, era como se ela dissesse: Rancoroso mal amado. As corujas são assustadoras, mas são seres sábios, portanto era melhor recolher-se à própria insignificância e correr para aula.




Personagens:
Ele
Ela
A mãe
O cachorro
A aranha
A coruja






quinta-feira, 20 de outubro de 2011

“Há tempos tive um sonho. Não me lembro”

Um dia quando ela acordou o mundo já havia caído. O céu não era mais azul, e o violeta que reluzia nele era inesquecivelmente mais bonito. As ruas quase desertas ainda abrigavam alguns que, como ela, acreditavam ter ficado para trás. Mas, apesar do espanto, a sensação era de repouso, descanso.

Não surgia em nenhuma estrada deserta um rosto conhecido. E, mesmo com toda a calmaria, os pássaros não rondavam mais o vento. Ela perguntou para o senhor ao lado o que estava acontecendo:

– Ficamos para trás.   

Foi só uma frase dura e clara. A mente entendeu, mas os olhos não, eles ainda percorriam todos os pequenos cantos em busca de alguém. Não importavam as circunstâncias, ela só queria alguém com quem dividiu momentos bons enquanto o céu ainda era azul. Era um lugar tão sereno, dava para se viver tranquilamente ali, mas alguém teria de aparecer.

Andou por algumas horas. Encontrou alguns senhores simpáticos sentados à beira das calçadas, esperando suas senhoras. E mesmo depois de procurar tanto, os pés ainda persistiam em caminhar. Na casa amarela morava a amiga de tantos e tantos anos atrás. No portão de ferro era o primo estranho que lá ficava.

Voltou para a casa.

Lá os quadros, as roupas e os livros lhe lembravam a todo o momento que ela nunca viveu a própria vida sem aqueles personagens tão leais e lindos que se chamavam Família. Deitou-se no sofá, a tarde parecia ser eterna, uma tarde-eternal. Talvez a noite não chegasse mais.

Depois de tanta espera, ela finalmente aceitou, eles não iriam voltar. Eram perfeitos demais, sinceros, francos e honestos. Se realmente existisse alguém por cima das nuvens ele já havia tratado de buscá-los. Não perderia essa chance. E antes que a própria mente lhe perguntasse o porquê de ter ficado para trás, ela se levantou. Colocou uma música para tocar, aumentou o som a todo o volume e dormiu.

“E nossa história não estará pelo avesso. Assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas para contar. E até lá vamos viver, temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás, apenas começamos.
O mundo começa agora. Apenas começamos
(Metal contra as nuvens – Legião Urbana) 
15 anos sem Renato Russo
  

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu, por mim mesma

Minha mente me avisou da ausência que paira em mim mesma, sinto falta de me olhar no espelho, de observar minhas mudanças, das noites aconchegantes de sono depois das leituras profundas. Sinto a necessidade de escutar minhas músicas, de conversar com meus amigos, de observar minha própria vida e julgar os meus atos tão calculadamente pensados e perdidos.

Por um breve momento, quis me enganar em achar que essas minhas "saudades" são apenas prazeres pequenos e bobos. Mas, a verdade, é que cada um desses "minúsculos e irrelevantes" desejos formam a pessoa que sempre fui, apaixonada pelos pequenos detalhes e prazeres, como deitar no sofá, no escuro, e pensar sobre as coisas mais tolas da mundo.

Tentei procurar motivos para provar a mim mesma que não sinto tanta falta da minha essência, e foi aí que percebi: parei de escrever para mim, abandonei meu blog - o primeiro lugar em que consegui por em prática uma parte do que sinto e penso - depois disso, a única coisa que posso fazer é admitir, eu não estou sendo eu por completo, e isso arde como um arranhão contínuo na pele.

Tenho vivido como uma zumbi, andando, olhando, estudando, trabalhando, comendo e esperando noites de sono medíocres e vazias. Viver se resume em uma rotina que, na maioria do tempo, me faz sentir raiva, repulsa, desgosto e desprezo. Nada me agrada, tudo é insignificante e sem objetivo. Na maioria do tempo tento ser alguém comum, mas como? eu não acredito em nada, em quase ninguém, em nenhuma divindade e isso já me torna um ser estranho.

Quero mesmo é largar tudo isso, redescobrir os prazeres que me faziam deixar a vida  correr comigo. Eu quero ter tempo para cantar, sonhar, escrever, traçar minha vida e por meus planos em prática. Nunca quis tanto voltar no tempo, voltar a ser criança, mudar alguns rumos, ajeitar outros e não me perder nessa trajetória.

domingo, 7 de agosto de 2011

O Vômito

Essa vontade amarga que não cessa de azedar a vida. A dor que vem e empurra tudo, mas freia no meio do caminho. O cheiro que impregna na pele e me torna estranha. Uma sensação de nojo, um mal-estar acompanhado do desejo vão de limpeza, só o desejo. E quando se libera me traz a vergonha e afasta-me da realidade de viver os sonhos.




por Magalli Lima

sábado, 23 de julho de 2011

A música entra em luto


Não há do que reclamar, não adianta lhe pôr defeitos, lhe julgar diante do erros, das quedas, do vários tropeços. O resultado está diante dos nossos olhos, e não falo da trágica morte da brilhante Amy Winehouse, mas, falo da herança espetacularmente linda que ela nos deixou: Sua música, sua voz, suas frases bem formuladas, seus versos de amor pessimista. O ritmo que foi ressuscitado diante de nossos olhos. Não importam as drogas, o álcool, o amor perdido ou a morte precoce, pois, nada disso ofusca a grandeza dessa artista que se foi, mas deixou sua marca, e que marca! Coisa que nós, simples e miseráveis seres ouvintes da música, não deixaremos.

É nosso carma, ver grandes artistas nascerem, se tornarem ícones, estrelas, amores e... partirem, nos deixando a certeza de que esse mundo não é o suficiente. Foi assim com tantos outros, e agora chegou a vez de Amy. Acredito serem eles muito mais do que "drogados inconsequentes", foram brilhantes demais para aceitarem toda essa monotonia de vida "real". Extravasaram, viveram, sofrerão e se foram. O que Amy queria ela conseguiu ser, a fantástica Amy que esperou o contrato com uma grande gravadora para viver incessantemente sua vida. Escrevou, cantou, vendeu milhões de discos, ganhou prêmios, fez centenas de shows, encontrou seu ponto fraco e se foi. 

Ser artista não lhe priva dos defeitos, dos erros e da podridão de ser um homem. Portanto, me recuso a ler e a ouvir comentários medíocres e egoístas que expressam repulsa pela cantora, devido à morte por overdose. Se você quer realmente pagar de moralista sabidão, então leia isso primeiro. Não se limite a tanto egoísmo. Minha singela homenagem à Amy não passa deste texto, dos álbuns que escutei o dia todo e do nó na garganta em saber que a música perde essa grande cantora. Uma artista que eu vi aparacer por meio da mídia, e morrer diante dos flashs e notícias cruéis e destrutivas que os jornais abordavam.

Este seria o grande ano de Winehouse, ela estava em preparação para o lançamento do terceiro albúm, iniciou uma turnê mundial que prometia sua melhora. Veio ao Brasil e fez seu primeiro show vestida de branco, onde anunciava sua mudança, sua tentativa. Em todos os shows seus erros eram mais focados que os acertos. Subir aos palcos tornou-se um desafio. Hoje, as mesma figuras que dizem que ela "achou o que queria", fazem parte da "manada" que só observavam suas quedas.  

Voz tocante, rouca, grossa, com sotaque londrino. Gritos que faziam gemer a alma, e letras que nos estremeciam o peito. Essas são as lembranças vivas que Amy deixou para a música. E a falta que fará será imensurável, ela sabia de seu potencial. Na verdade, o que a levou não foram as drogas, mas o amor doentio que supriu pelo ex-marido Blake. Hoje aguardo ansiosa, triste e angustiada pelo derradeiro álbum de Amy Winehouse que a gravadora, sem dúvidas, lançará. Escutar as músicas de um cantor que está vivo e tem muito a contribuir para o cenário musical, é totalmente diferente de escutar esse mesmo cantor e saber que ele já se foi. É essa a sensação deste sábado que, sem esperar, será eternamente marcado pela morte de uma das cantoras mais surpreendentes que o mundo viu atualmente.



O Amor É Um Jogo de Azar

(Love Is A Losing Game)

Pra você eu fui um caso
O amor é um jogo de azar
Cinco andares se incendiaram quando você me amou
O amor é um jogo de azar

Como eu queria nunca ter jogado
Oh, que estrago nós fizemos
E agora o lance final.
O amor é um jogo de azar

Desgastado pela banda
O amor é uma aposta perdida
Mais do que eu poderia aguentar.
O amor é uma aposta perdida

Declarado... intenso
Até o encanto se quebrar
e notar que você é um jogador.
O amor é uma aposta perdida

Apesar de estar bastante cega
O amor é um resignado destino
Lembranças denigrem minha mente.
O amor é um resignado destino

Acima de inutéis expectativas
ridicularizado pelos deuses
e agora o lance final
O amor é um jogo de azar



Sábado, 23 de Julho de 2011, Amy Whinehouse se vai e junta-se aos grandes artistas dos 27 anos.

por Magalli Lima


terça-feira, 12 de julho de 2011

"Isso de Agora"

Tenho lido tanto, a procura da algo que explique "isso de agora". Isso, essa coisa estranha, essa sensação de olhos embaçados, de rosto velho, de unhas sujas, de cor desbotada. 

Tenho observado tanto, todos os prédios, todos os olhares, todas as mãos, todas as roupas, todas as tardes. Mas, nada extrai esse anseio de me tirar "isso de agora".

Tenho andado tanto, com rumos certeiros, olhar decidido, destino traçado. E deixo minha marca em cada passo percorrido. Pegadas que me trazem o gosto do nada e o cheiro insosso de saber que "isso de agora" pode me fazer companhia até o fim.

Tenho olhado com olhos da alma, que procuram uma saída onde se possa  apenas observar a rotina incessante do ser humano em busca de viver sua vida 'tão' significativa.

Tenho sonhado com o fim o tempo todo, só para saber se ele existe, se o céu é o portal dos sonhos, se  o inferno é tão ruim quanto nos dizem. O que eu quero na verdade, é ter a certeza de que tudo isso não passou de uma lenda.

Tenho olhado a mim como algo tão desnecessário quanto todos os que vivem. E me pegunto a cada dia para onde iremos, pois é o que me faz não parar de ler, observar, andar, olhar e sonhar.

Mas, tenho escrito tão pouco que me assusto ao ver que reprimo de mim mesma essas frases pessimistas que saem do meu cérebro sem ao menos dar uma passadinha no coração, para aliviar as críticas. Escrevo pouco, muito menos do que gosto e do que quero, exatamente para evitar que a cada palavra eu me sinta tão decepcionada com a vida como estou agora. A perceber que não faço o que quero, não escuto só o que gosto, não trilho o meu  próprio caminho. Trilho um rumo pré-definido dentro desse sistema que nos inventa uma alma. Porque não existe o "individual" nessa sociedade, estamos todos enganados, reprimidos, desgastados e calados em conjunto, esperando que a sensação de "isso de agora" seja passageira. Odeio lhe decepcionar, mas ela é para todos sempre, amém.

sábado, 25 de junho de 2011

Não, eu realmente não me importo!


Não dou a mínima se meus papéis voaram, sujaram ou  estão rasgados,
eles levam minha iniciais gravada em cada página.

Não me importo se a chave caiu, ficou em casa ou quebrou,
sei que ela não abre outras portas.

Já não ligo se minha blusa azul desbotou,
ela já está velha, sempre esteve.

Não acho estranho se meu melhor filme já não é lembrado,
só assim ele não ganha mais deslumbrados, falsos.

Eu não me importo com sua vida, com seus problemas,
são apenas convenções sociais.

Eu não quero mais escutar, eu não quero mais olhar,
minha frieza é o que me mantém.

Eu já não quero ser persistente, correr demais,
é parada o meu estado melhor.

Eu não sinto remorso por te assustar,
eu realmente não sinto.

E se isso parece ser desistir,então, chame do que quiser,
o significado não tem relevância.

Desejo menos de tudo de agora,
e mais de tudo o que falta.

Não me envolvo mais com sua falta de personalidade,
já basta a minha ser tão difícil de lidar.

Eu quero falar de mim, eu só quero saber de mim,
eu sou eu, agora.

E se você não entender eu não vou atrás, nem pensarei em ir,
meu egoísmo calará por mim.
Nem minha racionalidade conversará com você.










Magalli Lima

domingo, 8 de maio de 2011

A fórmula simplista

 Não sei se quero que descubras. Por um acaso,
 que a ardência de suas orelhas, 
 resulta de minhas tantas conversas sobre você.
 Mas, não se encabule. 
 São só conversas minhas,
 espelhadas, sobre você.

 Sei que lhe doem as orelhas, avermelham.
 Pensei que pensar. Talvez. Quem sabe,
 pudesse amenizar a dor.
 Me enganei, agora nem falo mais.
 Penso rápido, e já me basta.

 E se ainda assim
 arder-lhes as orelhas,
 não se preocupe. Pararei.
 Mas, não pense que é definitivo.
 Afinal, gastei minhas semanas a pensar
 em como posso não gastar suas pupilas-orelhas.


Descobri uma forma de não avermelhá-las 
(A qualquer momento)
Porém, admito, ainda vai lhe doer. 
Por algum mísero tempo. 
Mas, advirto, será curto, breve.
Aliviará em instantes.

A fórmula é escrever.
Gastar algumas linhas, 
sobrevoando sua áurea.
Traçar algumas palavras e,
 quando eu sentir que basta.
Apenas coloco um ponto final.


PS: Mas volto em outro dia.





Magalli Lima

sábado, 7 de maio de 2011

MERDA


"Um dia vocês esquecerão de mim até o momento em que ouvirem falar do lançamento de um filme chamado MERDA". Essa foi a frase que saiu da minha mente doentia na semana passada, quando estava a conversar com alguns amigos. E para falar a verdade, espero que isso aconteça, ressurgir na mente de quem me esquecer, por causa de MERDA. 

Merda é uma palavra que me acompanha desde sempre, faço uso dela quando perco a chave de casa, esqueço o cartão do restaurante universitário ou quando vejo coisas engraçadas. Merda entra em todo o lugar, e sempre que percebo alguém fazendo cara feia para as minhas merdas, voluntariamente, passo a melar com mais merda ainda as minhas palavras. Somos todos podres, então, não me venha com conversinhas alheias de que a escolha de minhas palavras refletem o que sou. E como explicar todas aquelas figurinhas repetidas que se espelham na conduta "de um santo", mas são tão merdas quanto os outros tantos?

Cansei e me canso todos os minutos de quem reprime a merda. Poucas são as pessoas que me fazem voltar os olhos a seus detalhes, e são exatamente essas que sabem falar uma boa MERDA quando necessário. A merda pode ser pejorativa ou bonitinha, contanto que esteja lá. E começo já a pensar em como seria um filme com o nome de merda. Estilo O cheiro do ralo? ou Saneamento básico? Com um roteiro cômico ou embaraçoso? Por enquanto, só sei que se chamará MERDA .

Agora me despeço, pois tenho algumas merdas a resolver. E quem não as tem? Me diga.



Magalli Lima

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Cadeira Azul

É que em uma noite clara, a cadeira azul me chamou, disse que me aquietasse nela.
A cadeira azul, é a minha máquina do tempo. Sábia, me mostra todos os caminhos. Já me deu lágrimas, já me trouxe saudades, já me fez cair para baixo do chão, já me acreditou... já me. Honesta, sempre aceita minha companhia nas tardes de café, mas frisa: Não se acostume.

A cadeira azul já chegou velha, vivida, mesmo sem recalcar o passado. É no estofado amarelado e amassado que sinto o tamanho de seu conforto e, juntamos nosso acalento ao lembrar que já estou gastada da vida, igualmente a ela. Sabe ninar com suas rodinhas nos pés, e eu lhe mostro quão valiosa ainda é. 

Um dia meu peso foi doído em suas estruturas, e lhe dei um descanso. Justo comigo, que sempre recebi os conselhos amarelados dessa cor azul. Agora, começo a me transformar em mais um peso que condena sua valia desgastada. Compreendi, afinal, o peso da vida nunca priva um só ser, e agora, aos poucos, sentirei os ombros caírem. Meu elo com ela crescerá, assim como a capacidade de dar bons conselhos. 

Pois, ser velho é isso, é dar bons conselhos. Ter competência nas palavras. Exalar um clima de respeito, com essência de aconchego. E quem dúvida dessa fase, passará por ela como uma pedra seca, ou nem passará. Mas, se eu chegar lá não terei a cadeira azul. Talvez uma vermelha, ou preta, mas não a azul. Quem sabe, nessa fase eu seja a cadeira azul. Agora que já estou a aprender a usar pontos.  





Magalli Lima




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O brilhante infeliz

Olhos secos não querem dizer amargura, o significado nunca está certo.
Correr demais e não saber o porque, mas não é medo, não é medo.
Jornais desinteressantes, não é você, são mesmo uma monotonia egoísta e passada.
Copos de café cada vez mais vazios, a sobriedade quer se manter viva.

Conspirar não dará certo, deixe tudo como está e ninguém vai perceber.
Não existe sorte, beije o que conquistou e seja feliz.
A falta de tudo sempre vai causar dor, não minta pra si mesmo, você perdeu.
Está tudo bem, não despreze a felicidade que te mantém ácido.

Ninguém disse que enxergar o que poucos vêem seria fácil,
mas não finja que dá para recomeçar, apenas mate quem inventou essa palavra.
Desprezível índole que lhe faz ser um enigma, pessimismo é mesmo seu ingrediente.
Suar com a alma é para poucos, apenas continue.

Sem ardor no coração, sem danças no fim das contas, e o que é tão ruim assim?
Não seja ridículo, não se limite ao frívolo,
apenas lembre-se: Não procure lástimas em um copo com álcool,
pois encontrará nele o mais belo e fiel dos romances.
Acredite, um dia será o melhor brilhante infeliz que o mundo há de se imaginar.





Magalli Lima

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um jeito estranho


As tardes vazias frustram, e o silêncio lhe apresenta todo o dia um novo 'eu'.
Desacredita fácil nas coisas, depois volta a acreditar com um pé atrás e a língua afiada.
Gosta de todos, e é gostada de uma forma superficial, desgastada aos poucos.
Ainda possui o elo forte de amor de família, mas não sabe demonstrar, e esse AINDA sempre será assim.
Deseja tudo, mas pode pouco, se limita como uma peça dispensável a qualquer momento e situação.


Não se encontra, não se conhece, mas sabe que está lá. E dói quando não notam.
Cria muitos feitos, a fim de mudanças, mas na verdade, nada muda.
Acha que sabe demais, e a seriedade está ai pra provar.
Poucos conseguem sentir com sensibilidade o aroma que tem.
É chorona de cobertores na calada da noite e atriz hollywoodana no silêncio dos dias.
Quer a liberdade, consegue imaginá-la, mas é fraca demais para alcançar.
Joga tão bem que nem sabe distinguir mentiras de verdade, mas vive no infinito da sinceridade.


É contida por fora, e explosiva por dentro, grita para a própria alma a infâmia de viver.
Quando está bem se esquiva, quando está mal se esconde.
Tem medo do escuro e de almas. Mas deseja reencarnar em alguém que valha a pena.
Sabe que um dia vai enlouquecer, mas espera que isso aconteça quando tiver um lugar próprio. 


Descobriu que pensar demais causa náuseas, espasmos, dor na coluna e dor de cebola cortada na retina. 
Apaga a si própria, já não tem mais cor, nem imagem no espelho, até os defeitos somem.
É apenas um vulto que passará cada dia mais rápido e sem deixar rastros, só anseios. 


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Reinauguração - Uma rodada de cappuccino para todos!

E foi assim, findei o ano de 2010 sem postar absolutamente nada aqui, sem agradecimentos por quem me acompanha, sem planos para novas postagens, sem nada. Estive bem, afinal estou de férias e planejei escrever e ler o quanto aguentasse, mas.. nem sempre nossa mente consegue comandar nosso corpo, nas verdade foi isso, permaneci até agora num período em que nada me vinha a mente, nada de frases ou versos, apenas um grande ponto final. Os escritores de verdade chamam isso de HIATO, o período em que, por mais que queiram, não conseguem escrever nada, mas eu, como não sou escritora, chamo isso de... não sei do que chamo, apenas obedeci minha mente, permaneci quieta com as palavras. 

Minhas férias ainda continuam, mas logo hoje resolvi quebrar a madrugada silenciosa da minha mente, mas não encontrei rastros que me guiassem por algum rumo, digo, não achei um assunto certo para falar. Então, resolvi me explicar - a questão é: Me explicar para quem? - afinal, nunca tive a certeza de que existe alguém que já leu TODAS as minhas postagens e, ficou a espera da postagem que fecharia 2010 e desejaria um bom início de ano para todos. Sei que nos tempos de hoje é difícil acompanhar coisas, confesso que atualmente as únicas que acompanho são:  Meu seriado favorito The Big Bang Theory e o site Vagalume Rosa que lança filmes para baixar diariamente, não me lembro ao certo dos restantes, acho que é só. Mas, para falar a verdade, gostaria que existisse alguém lá do outro lado do país que acompanhasse todos os meus textos e cobrasse sempre que eu resolvesse fugir desse Mundo Mudo.

Não vou deixar de frisar que mesmo distante estive bastante perto, afinal, não passou uma só semana em que não entrei nessa conta a procurar por comentários, olhar minhas estatísticas de visitas e ler as atualizações dos blogs que sigo. Pois é, não abandonei, me senti abandona de ideias, um incomodo que sempre puxava meus cabelos para lembrar que alguns de meus planos não estavam dando certo. E para piorar a situação eu ainda tenho um outro blog pelo wordpress, que por sinal também está 'abandonado' - não é nada parecido com esse, é voltado para história da arte - para quem quiser dar uma olhadinha nele,  Blog Análise e Crítica. Mas não estou estou em casa apenas olhando pro teto (tá, as vezes me pego olhando pro teto),  peguei alguns livros da biblioteca, juntei alguns que tenho e determinei uma pilha deles que irei ler até o fim das férias. Mas isso não me bastou, me refugiei no que mais gosto de fazer: assistir filmes e curtas, já vi um milhão deles, e quando me dei conta estava vendo quase dois filmes por dia.

Como se não bastasse o tédio foi e é meu amigo para todas as horas, alguns dias quando me encontrava sozinha em casa e não tinha nada para fazer me dava vontade de sair correndo pela porta e só voltar a noite -   mas essa vontade dura pouco - Além do tédio encontrei um novo companheiro, o site Filmow, onde listo filmes que já vi, quero ver e os meus favoritos, e o melhor de tudo, é possível fazer resenhas e críticas sobre os filmes, seriados ou curtas que já foram vistos, além de fazer amizades com pessoas e receber indicações de novos filmes, é uma espécie de rede social que preza sua filmografia, meu perfil é esse  Filmow Magalli Lima. Bom, ao ler esse último parágrafo é de se imaginar que sou uma anti-social que não tem ninguém por perto, mas não é verdade, o problema é que meus amigos estão dispersos pelas viagens de verão, e os bons e poucos que ficaram possuem planos que deram certo, como por exemplo emprego.

Sim, já deu pra perceber que sou uma pessoa que planeja muitas coisas, senão quase tudo, planejei aprimorar minhas leituras, forma de escrever, interpretação, arrumar um estágio e juntar o dinheiro para ir ao Rock In Rio. E odeio admitir, mas quase tudo está dando errado, a começar pelo meus APRIMORAMENTOS que não estão rendendo, depois porque procuro emprego e não acho, e o que é ainda pior, desenvolvi uma enorme antipatia por entrevistas de emprego (não gosto de me sentar do lado da mesa em que perguntas virão de forma a me desqualificar a qualquer custo, por mais que  seja a 'lei' do capitalismo -  não me senti bem ) preciso fazer alguma coisa para mudar isso, imediatamente. E obviamente, sem emprego não há Rock In Rio, e sem ele não há a possibilidade de assistir ao vivo uma de minhas bandas favoritas tocar, Red Hot Chili Peppers.

Ah, mas quem sou eu para culpar essas férias, também prefiro não me culpar, culpo o meio - e sabe-se lá quem é o MEIO! - Na verdade, procuro o defeito das férias para não admitir que o que realmente gosto é do desgaste de uma rotina, sem ela fico assim, amolecida, acomodada, engordando e  assistindo a muitos filmes (isso para não citar as horas que fico atualizando e atualizando meu Twitter). Acho que quando tudo voltar ao normal eu também voltarei, então, aguardem melhores capítulos para esse 2011.

PS: Fiz um novo Layout, sei que está meio fliperama, mas por enquanto ele ficará aqui, precisava de algo novo pra ele nesse ano.


Acabamos com o lêro-lêro , então vamos ao cappuccino!