domingo, 15 de agosto de 2010

Detalhes de uma ressaca



Um dia ele acordou atrasado, nunca isso havia acontecido antes... Olheiras, dor de cabeça, no nariz e nos pés. Se olhou no espelho, o nariz estava quebrado, mas não era só isso, faltava algo, não sabia o que, mas faltava. Escovou os dentes, gosto amargo na boca, roupa rasgada e suja. Tomou banho, foi para cozinha, olhou ao redor, percebeu, descobriu, aquela não era sua casa... Paredes rosas, abajur amarelo, cortinas desbotadas.

Andou até uma porta, estava trancada, chegou na sala, estava vazia, espiou na segunda porta, havia alguém lá dormindo... Saiu na ponta dos pés, silêncio absoluto, várias dúvidas na cabeça, o sol já batia em cheio, e agora?
Não quis ir embora, decidiu esperar, não estava assustado apenas queria saber o que acontecera...Imaginou mil coisas... talvez tivesse ido a uma festa, bebeu, perdeu a lúcidez, entrou numa briga, quebrou o nariz e estava de ressaca. Que festa? Com quem? Amnésia alcoólica? Ficou feliz, o primeiro porre da vida, que máximo, precioso, sentiu-se estupendo, haveria história para contar, afinal, relações sociais nunca foram o seu forte...

Já estava decido, havia tomado um porre, brigou, desmaiou na festa e foi levado por alguém, que provavelmente era a pessoa que estava dormindo no quarto ao lado. O gosto amargo na boca, a dor de cabeça e nos pés eram as pistas da ressaca. Aquela sensação era única, uma dor agradável, seu estômago perecia destruído, o nariz mal respirava, nem a própria alma parecia lhe acompanhar naquela manhã estranha.

Adormeceu no sofá sujo a espera de uma resposta, nem precisou sonhar, afinal aquilo já era um sonho: A ressaca. Passou o tempo, um barulho surgiu no quarto, acordou assustado e antes que pudesse chegar ao local uma mulher saiu do cômodo.

-Tudo bem com você?

Não respondeu nada, ficou intacto, uma mulher bonita estava lhe fazendo uma pergunta vestida de camisola. Só pensava em questionar: Ficamos juntos a noite passada!?... Respirou, pensou e disse com um leve sorriso na fala:

- Eu não lembro nem o meu nome.

Ela o observou com um olhar de preocupação, permaneceu calada, mas ao perceber o desamparo de idéias do colega resolveu ajudar.

- Bom, você consegue voltar pra casa? Eu preciso ir trabalhar.
- ... Ah, claro. Qual o se...?

Foi interrompido, ela saiu arrumando a casa, pegando as bagunças, parecia estar com pressa, foi para o outro quarto e de lá perguntou gritando:

- Você já se olhou no espelho?
- Já, meu nariz "tá" quebrado
- Além do nariz?

Apesar de saber que era apenas o nariz ele seguiu até o banheiro de novo e foi diretamente para o espelho. Se olhou com detalhes, a sobrancelha estava lá, os dentes também, o nariz estava destruído, o que era então? Ele sabia, havia algo de errado. Pensou, repensou, e nada, ficou irritado, saiu do banheiro as pressas pronto para esbravejar á mulher todas as dúvidas que lhe dilaceravam.

- Olha aqui! Eu não sei onde eu "tô", nem quem é você, não tem nada de errado na minha cara, pelo amor de Deus me diz O QUE EU FIZ NA NOITE PASSADA!?

- Você está sem sua lente, sem seu aparelho, levaram sua carteira, te fizeram beber água da poça e correr todo o quarteirão sem sapatos, eu te ajudei quando você desmaiou e você ainda me trata assim? Sai da minha casa!















Magalli Lima

sábado, 14 de agosto de 2010

Mundo surdo, ouvidos mudos... Mundo dos ouvidos surdos...Ouvi....

Essa semana fizeram a seguinte pergunta: Sobre o que você escreve?
Não soube responder, embolei, me livrei da pergunta. Agora reflito, realmente não sei sobre o que escrevo. Em prosa, poema, parágrafos, símbolos... Um pouco de tudo, muito de nada.

Já pensei em fazer desse blog uma espécie de jornal online, ou talvez um espaço para poemas, falar só de música, só de filmes, resenhas, e nunca decidi, na verdade olho para todas as minhas postagens e tenho a certeza do que ele não é... não é um diário, nem um jornal online, tão pouco um espaço para poemas, resenhas ou músicas.

O nome dele (Mundo Mudo, Ouvidos Surdos) é o que me atrai a escrever aqui, surgiu de uma mistura da música da banda Terceira Edição, de rimas, e combinações feitas por mim, acho forte. Mas, a maioria das pessoas que lêem o blog não sabem o nome ao certo. - Ah, o blog dos ouvidos mudos né?... (Talvez não seja tão forte assim como eu penso, mas prefiro me iludir nisso.)

Escrevo misturas e aromas diferente, as vezes criativos, inovadores, as vezes comuns e sem cheiro de nada. A única certeza que tenho daqui é: Cada texto que posto é como se fosse o meu melhor de todos. (Mesmo não sendo)

Já fazem dois anos que tenho ele, muito tempo para pouca coisa, ou muita coisa para pouco tempo? Não sei, só sei que foi assim. (Parafraseando João Grilo)


Magalli Lima