sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ser é ser, não há questão!

Sim, modifiquei a famosa e memorável frase de William Shakespeare, pois é o que eu penso agora, nesse momento, a fase mais HISTÓRICA da minha vida (!). Sei que meu blog anda muito pessoal ultimamente, mas não quero esconder que me sinto livre, pois quando me sentia presa escrevia sobre o assunto.

Pois bem, sou o que desejei ser por dois anos seguidos durante meu pré-vestibular, ALUNA da UFES de JORNALISMO. Foram tempos difíceis e cansativos, mas ai está a recompensa, lembro que imaginava todos os dias como seria quando eu visse meu nome no listão de aprovados: Estaria de madrugada em frente ao PC esperando a lista sair para ver meu nome e gritar desesperadamente.

Entretanto, não foi como imaginei, estava num dia tranqüilo, descendo do ônibus quando meu irmão ligou de São Paulo e disse: Você passou na UFES!
Minha reação foi abobalhada, saí correndo do ponto de ônibus para casa, todos me olhando intrigados na rua. Entrei em casa e realmente confirmei meu nome na lista, gritei, pulei e recebi umas trocentas ligações desejando parabéns.

Escutei minha mãe chorando no telefone e meu pai dizendo que era o melhor dia da vida dele. Pode ser que pareça sentimental demais, mas para minha família não é, eu e meu irmão somos a primeira geração a entrar na faculdade federal. É o início de uma longa construção, que será feita com toda a força do Mundo.

Optei por entrar no segundo semestre, pois ainda estou por terminar meu curso de RTV, que particularmente "atorommm" e não largaria por nada. Tudo coincidiu, meu curso termina no meio do ano e a UFES começa no meio do ano, será trama do destino? "Não sei, só sei que foi assim"... (João Grilo, O Auto da Compadecida).

Sinto que tudo está dando certo, e não temo medo algum de encarar a realidade que me espera, quero que os meses passem rápidos e intensos, só penso na UFES e sei que as pessoas ao meu redor devem estar de saco cheio disso, mas é o que há, serei caloura, serei aluna, serei uma futura jornalista (!).


PS: Para não deixar de fora meus amigos que merecem esse PS por participarem da mesma caminha que a minha: Leonardo, Kaio e Helison. "É nozes camaradas!"

PS do PS: Meu irmão também merece, afinal ele ainda não deixou de ser aluno da UFES de PP.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A melhor dupla e trio do Mundo



Acredito que todo o ser humano conhece o que é o amor de irmão, o laço fraternal, as brincadeiras e as brigas de sempre. Mas o meu sempre foi diferente, tive um irmão gêmeo, e por mais que as pessoas perguntassem: " vocês são idênticos?".NAÃO, não somos, pois eu sou mulher e ele homem, isso é lógica.

Pois bem, crescemos brincando entre si, chorando ao mesmo tempo, dividindo muitos brinquedos, e sempre compartilhando o mesmo quarto, admito, tínhamos medo do escuro. Minha mãe e irmã ficavam loucas conosco, quando pequenos bebemos detergente, pegamos catapora juntos, estudamos sempre juntos, na mesma sala, com os mesmos amigos e professores. Sim, sempre conseguimos compartilhar nossos amigos. Por volta da quarta série descobrimos nosso primeiro melhor amigo, o Patrick. Formamos então um pequeno trio inseparável, ás vezes eu olhava ao meu redor e via que todas as meninas da escola tinham amigas, mas eu não, tinha dois melhores amigos, e eles cuidavam de mim.

Crescemos juntos, os três, dividindo e compartilhando a amizade, a raiva, a fraternidade e as intrigas, éramos inseparáveis. Até que um belo dia o Patrick não pôde estudar na mesma sala que nós, no entanto isso não nos distanciou, no intervalo nos encontrávamos e ficávamos lá, parados em frente ao portão esperando o recreio passar, eu tinha medo daquela escola, e acredito que o Maycon também.
O tempo foi passando, nós fomos crescendo, sempre unidos, alternando as brincadeiras entre a minha casa, a casa do Patrick, e a rua.

Quando fizemos 13 anos, o destino nos separou, eu e o Maycon fomos morar em Porto Seguro e o Patrick ficou em São Paulo. Foi uma mudança rápida e inesperada, porém, muito triste e dolorosa. Tentamos manter contato com o Patrick, mas lá não era possível, então, sobrou nós dois, os gêmeos, para enfrentar a nova vida, e enfrentamos muito bem, na mesma escola, mesma sala, amigos e professores novamente. Por algumas vezes o Maycon ia em São Paulo visitar meu pai, e eu tinha medo de que ele resolvesse ficar lá e me deixar sozinha, mas para minha alegria ele sempre voltava.

Amadurecemos juntos, gostavámos das mesmas músicas, e não gostávamos de axé e carnaval. Em São Paulo o Maycon havia ganhado uma bateria, mas foi em Porto Seguro que ele realmente se dedicou em tocá-la. Formou a primeira banda, fez o primeiro show e se impregnou de música. Com pouco tempo fomos morar no Espírito Santo, senti que ele não queria se separar da banda, mas aceitou ir, sempre foi muito pacífico. Nos primeiros dias na escola lembro que sentávamos juntos, como de costume, e ficavámos calados, nunca fomos bons em fazer novos amigos tão rápido. Com pouco tempo os capixabas nos fez sentir em casa, conservamos grandes amizades com várias figuras incríveis, que prefiro não citar nomes para não haver ciúmes.

Com o tempo ele vendeu a bateria pois não tinha com quem tocar, e nós arrumamos um estágio juntos, fazendo o mesmo serviço: Cuidar de criancinhas atentadas. Definitivamente, não nos demos bem com aquilo!
Tudo corria bem, até que no ano seguinte apareceu a UFES em nossas vidas, a chance de concorrer por um vaga, ou melhor, duas. Fizemos a prova do PUPT, mas para minha infelicidade só eu passei, ele começou a fazer outro cursinho público. Foi a nossa primeira grande "separação" nos estudos. Estudávamos de manhã juntos, e a noite cada um no seu cursinho.

O que passou a me incomodar foi a escolha do curso, quase escolhemos a mesma área, ele publicidade e eu jornalismo. Daí, veio um grande baque, ele passou e eu não. Para mim foi um desastre dos piores, e ele ficou triste por tudo. Mas iniciou uma pequena longa jornada rumo a UFES, e eu rumo ao Vasco Coutinho com meu curso de R&TV. Foi a primeira vez em todos os anos que não tinhámos os mesmos amigos e as mesmas conversas, um tempo estranho, onde cada um, na marra, aprendeu a se virar sozinho sem o outro, pelo menos enquanto estávamos estudando.

Mesmo assim, passavámos grande parte do tempo juntos, inventando apelidos, assistindo as mesmas coisas, crescendo juntos. Até que ele finalmente encontrou uma banda, fizeram os primeiros ensaios, o primeiro show e isso foi o bastante para que voltasse a se impregnar de música, tudo que ele sempre quis. O Patrick estava lá, pela internet crescido, rockeiro, com uma banda, e a vontade de levar tudo a sério, não vimos ele crescer conosco, mas o trio inseparável sempre esteve em nossos corações.

De repente, de súbito impacto o Maycon e o Patrick se unem e resolvem levar a música à sério, estudá-la juntos, novamente, depois de tanto tempo. A princípio eu achei que não passava de uma mera vontade, mas com poucos dias vi meu irmão se render à música, largar o curso de publicidade na UFES, se despedir dos amigos, enfrentar meu pai, e partir de malas prontas pra Sampa, em busca da tão sonhada música. Chorei, pela primeira vez vi meu gêmeo partir pra longe de mim, tão rápido. Lembro que em uma conversa com o Patrick pela internet ele me disse: " A gente volta pra te buscar". E essa frase me deixou emocionada e com a certeza de que eu sempre vou tê-los comigo.

Talvez eu não precise que me busquem, acho que meu lugar é aqui, tudo que quero está aqui, por isso entendo a escolha do meu irmão em ir, tudo o que ele quer está lá. E hoje estamos assim, ele lá com o Patrick e eu aqui, parece até destino, o antigo trio de três crianças pequenas hoje está mais vivo que nunca. Pode parecer que faz tempo que o Maycon viajou, mas só faz uma semana, para muitos pode parecer melancólico eu escrever a tragetória da nossas vidas só porque meu irmão viajou, mas eu sei que só nós dois entendemos nosso laço, somos mais do que irmãos, somos gêmeos.




Magalli Souza