sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma de minhas revoltas



Numa noite quente, no Espírito Santo, em pleno terminal estava eu, voltando do curso pré- vestibular. Cansada, mas com um leve ânimo para acompanhar algumas colegas e esperar o ônibus. Numa das conversas do pequeno grupo de quatro garotas jovens, das quais duas eram brancas, e duas pardas (incluindo eu), escutei a seguinte frase:
- O irmão da "fulana" é filé, tava doida pra "pegar" ele, pena que é preto!
Ao ouvir essa frase não acreditei no que estava presenciando, racismo em pleno século XXI. Subitamente perguntei:
- E qual é o problema em ser negro?
E antes que a autora da frase respondesse houve uma intromissão com o seguinte comentário:
- Ah, eu também não fico com preto não. No máximo moreninho.
Nesse momento me senti um peixe fora d'água, um sentimento de repulsa envenenou minha mente, calei. Tive vontade de sair e ir para longe de pessoas tão... ignorantes e estúpidas. Virei em busca do meu ônibus, mas ele ainda não estava lá. Foi quando percebi que a palavra "couro" era usada como um sinônimo de "homens":
- Tô com um "couro" ai, mais não dá em nada não.
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Aquela noite me fez calar por Algum tempo. Permaneci estarrecida e indignada, sou de uma família negra, sou negra, mas por ser um pouco mais clara colocaram em minha certidão de nascimento que sou "parda", apenas uma denominação para não dizer o correto: Negra. Meu irmão gêmeo é negro, minha mãe é negra, minha avó é negra,e são todos importantes demais para mim, é incomum escutar comentários tão sórdidos.
Me indigno com o meu país, um lugar mestiço de índios e negros, no entanto, racista. É preferível ser chamado de pardo ou moreninho, ao invés de negro. Opa! negro é ofensa, agora é afro-descendente e olhe lá. Fico a observar alguns capixabas descendentes de italianos, que se acham no direito de ser melhores, se vangloriam por ter um sobrenome diferente e confuso, esquecem-se que os imigrantes italianos vieram para o Brasil na época de escravidão cafeeira, eram escravos iguais aos negros.Porém, são brancos,nesse caso a escravidão não importa.(!)
E o Brasil, o país do futuro, visto lá fora como o lugar de todas as raças e etnias é controverso dentro de suas próprias raízes. Gostaria, que todos revelassem seus perconceitos, pois seria melhor ver uma pessoa realmente como ela é e pensa, ao invés de conhecer máscaras que encobrem podridões.






Magally Souza

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ao Querido Nada


Nessas férias confusas, monótonas e ociosas resolvi escrever, e o meu tema é: NADA. Isso não quer dizer que não tenho nada a dizer, mas que quero falar do Nada, só isso. O Nada pode levar o ser humano a produzir, é por isso que eu estou a digitar. Percebi que o Nada me faz muita companhia. Desde Dezembro todas as manhã quando acordo às 10:00, cismo em ficar na cama, com os olhos abertos olhando para o teto, o Nada me faz companhia nessas horas.
Sempre quando vou tomar banho e não há como escutar música, penso no Nada, e me sinto com a mente flutuando. Até quando tento assistir Tv à tarde involuntariamente chamo pelo Nada, digo: "Não passa Nada que preste!!". Nas minha leituras, paro ás vezes, me desligo do mundo e dedico um pequeno tempo ao Nada. Surpreendentemente já imitei o Nada, quando alguém me perguntou: "O que está fazendo?", e eu respondi:
- Nada!
O Mundo inteiro explora o Nada e não sabe, só eu nesta postagem disse, até agora, 13 vezes a palavra Nada, fora às que virão. Não adianta negar, todos já fizeram Nada, mesmo que usem sinônimos para denominá-lo, como: Ócio. E já que exploramos tanto o NADA, porque não dedicar está postagem a ele?. Farei.
E como o Nada costuma ser breve quando me faz companhia, serei breve também, pararei por aqui. Irei agora fazer NADA, de novo.