sábado, 23 de outubro de 2010

Saudade


Não é algo claro, nunca ouvi palavras que possam explicá-la. Nem mesmo o dicionário, com sua notável inteligência, me convence do que seja a saudade:


"Lembrança grata de pessoa ausente ou

de alguma coisa de que alguém se vê privado"


Lembranças são só lembranças, sejam boas ou ruins.

Saudade é algo preso dentro de nós, escondido.

E aparece em momentos nostálgicos, para nos

lembrar que por trás de nosso ego inflado

existe um ser tão frágil e desprotegido,

que implora por uma vida boa.


A falta de tudo, de pessoas, momentos, lugares

e aromas são resquícios de um tempo

que se foi, mas antes de ir

fez questão de deixar

um rastro marcado

nas raízes do

nosso peito.

Um beijo

na alma.

É por ela que não nos privamos da vida, pois faz questão

de guardar cada sentimento passado, intenso e doce

para depois abrirmos essa caixa e nos depararmos

com a brisa suave de tempos felizes.

E calha no pensamento a dúvida:

O presente é tão bom

quanto foi o

passado?

Com ela quero passar o resto de meus dias,

mesmo que seja a saudade de ontem, ou

a de anos atrás, sempre será suficiente.

E se o que vivo hoje não valer a pena

irei fazer da saudade meu

portifólio de vida.



"Saudades é um dos sentimentos mais urgentes que existem"

(Clarice Lispector)


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