quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Resenha do livro "Cabeça de Porco"


Segundo o dicionário online inFormal o termo Cabeça de porco significa "habitação coletiva de pessoas de classe pobre; cortiço". Hoje já é possível acrescentar também o ambiente "favela" no significado, pois no livro Cabeça de Porco percebe-se que tal termo é usado para designar não só o local, mas também a boca de fumo, lugar onde acontece a "economia", algo que veremos adiante.

O livro é fruto de uma parceria entre MV Bill (Rapper), Luiz Eduardo Soares (Antropólogo) e Celso Athayde (Produtor de MV Bill, idealizador e coordenador da CUFA - Central Única das Favelas) onde se reuniram em um só tema. Muitos diriam que a obra retrata a violência nas favelas, outros apontariam apenas as "ramificações" da vida no morro, são elas: Criminalidade, drogas ou tráfico. Eu digo que todos os exemplos estão certos, e ainda há mais o que acrescentar, como a desestruturação familiar, o desamparo social, a corrupção da polícia, o racismo, entre outros, por isso mesmo irei unir todas essas subdivisões e definir o tema do livro como: A vida na Favela.

A obra parte de uma pesquisa que MV Bill e Celso Athayde iniciaram para retratar como vivem as comunidades marginalizadas. Eles percorreram o Brasil de Norte a Sul e visitaram as favelas mais conhecidas pela violência e criminalidade, uma jornada angustiante a cada parada. Vivem a realidade de um Brasil que poucos conhecem, e por isso mesmo quem nos apresenta esse contexto são os relatos de moradores, com histórias marcadas pelo sofrimento da violência, das drogas e mortes.


Os relatos mostram a bola de neve em que a situação se transformou, a começar pela economia das drogas, sim, esse produto que a sociedade vulgariza e condena é a fonte de renda de muitas pessoas que trabalham, vigiam, matam e vendem para sobreviver nesse meio. Na maioria dos casos quem usa as drogas como fonte financeira também se envolve como usuário, e o mais chocante é que mais da metade dos envolvidos são crianças e adolescentes que foram "recrutadas" para essa vida.


Em meio às histórias impactantes, há situações de racismo e preconceito em que os próprios autores revelam ter passado. E para intercalar e até dar sentido ao sentimento de revolta que é causado nos leitores, o livro dispõe as análises de Luiz Eduardo Soares, que uniu sua pesquisa e formou questionamentos tocantes e reais, além de examinar as condições de vida e o psicológico de cada situação. Com ele percebe-se que a pesquisa não apenas apresenta um problema, mas o explica e nos mostra como tudo chegou a tal ponto, instiga os leitores a reagirem e a estudarem sobre alguma solução. Por falar nela, a solução não é algo fácil e tão esperado, na verdade já se inicia o livro com a seguinte proposta: "A intenção deste livro não é denunciar, mas apontar saídas". Entretanto, em várias outras passagens percebe-se que os próprios autores temem não haver saída.

O leitor lida o tempo todo com o chamado "sistema", que sobrevive pela economia dos produtos ilícitos e leva crianças e jovens a trabalharem em prol disso para sobreviverem. A desestruturação familiar é a causa que, na maioria das vezes, induz menores de idade a buscar ajuda financeira, e apoio ou incentivo moral. Para isso eles aprendem a mexer com armas, matam quando é preciso e usam drogas para ficarem alertas a qualquer entrada da polícia na favela. E ao fim o "sistema" só sobrevive se a polícia deixar, algo contraditório, mas a polícia ajuda, cobra propina, favorece certas bocas de fumo, ignora situações de risco na comunidade. Sendo assim, não cumprem o papel de ajudar a comunidade, apenas levam adiante o "sistema".

É uma obra que nos leva a pensar, questionar, não parar por aqui e buscar cada vez mais entender e descobrir esse outro Brasil escondido. Talvez não se possa ajudar em muita coisa efetivamente, mas compreender o que se passar já é algo muito bom para adquirir criticidade sobre um assunto que só é conhecido publicamente do ponto de vista do policial e do Estado. Cabeça de Porco é uma chance de mostrar o outro lado da moeda, e indagar a sociedade se realmente houve alternativas para os indivíduos que chamamos de bandidos, que tratamos com frieza, que escorraçamos de nosso meio, mas que são seres humanos iguais, tão iguais a nós.



Resenha feita por Magalli Lima
para a aula de: Teorias e práticas jornalísticas
Matéria do curso de Jornalismo da
Universidade Federal do Espírito Santo


11 comentários:

  1. para entender como funciona esse Estado paralelo, esse livro é fundamental. amei de ler. :D

    ResponderExcluir
  2. fodasse esse mundo de amargura e desprezo social

    ResponderExcluir
  3. Meu professor de psicologia pediu pra ler esse livro, será que tem muito a ver????

    Vamos ler ...

    ResponderExcluir
  4. Meu professor de psicologia pediu pra ler esse livro, será que tem muito a ver????

    Vamos ler ...

    ResponderExcluir
  5. Meu professor de psicologia pediu pra ler esse livro, será que tem muito a ver????

    Vamos ler ...

    ResponderExcluir
  6. Moro em um bairro " Favela" e ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas ressalto que morar na periferia gera situações diversas. Vou dar um exemplo que aconteceu recentemente com um vizinho dono de uma avícola. Ele saiu do estabelecimento que possuí e veio em direção a sua residência, nesse percurso percebeu que estava sendo seguido, imediatamente ligou para sua mãe . Quando chegou na rua de sua casa subiu e a pessoa que o seguia também subiu .A mãe que já havia sido avisada, saiu gritando (socorro policia), o assaltante percebendo a situação ergueu a arma e saiu atirando para todo lado. O rapaz dono da avícola joga o carro em cima do assaltante que estava com um companheiro atrás da moto; um deles cai e fica estendido o outro foge. Em pouco segundos alguém vem e retira o rapaz que está estendido. Pois bem, o bairro em que mora o dono da avícola, se trata de um bairro de periferia "pobre" e dentro da periferia tem traficantes donos de boca que trabalha discretamente. O dono da avícola trata-se de um jovem rapaz que é conhecido por todos no bairro inclusive pelo dono da boca. Bom nesse momento a policia entra na situação e solicita ao dono da avícola que abra um BO. Consequentemente o rapaz teria que reconhecer os assaltantes e os familiares que retiraram o assaltante que estava estendido. O dono da boca propôs que o rapaz dono da avícola não reconhecesse os criminosos dando a ele "proteção". Conclusão da historia: Fica difícil para pessoas que procuram conduzir suas vidas tranquilamente, manterem uma postura correta diante da sociedade já que, vivemos dois polos aonde temos que fazer escolhas que nem sempre é o que desejamos. Posso fizer que, o problema não é morar em uma favela mas sim saber viver em uma.

    ResponderExcluir
  7. OLá a todos li o livro em questão o que eu posso adiantar,leiam com atenção de coração aberto pois este livro tem muitos a nós ensinar de verdade

    ResponderExcluir
  8. Acho não somente o tema mas toda evolução do livro e suma importancia,

    pois retrata uma realiade vivida dia a dia mas, que não interessa aos governantes

    pois esse sistema e bom e da lucro para alguns. Então para que mudar? para eles

    não vale a pena estamos vivendo em um mundo e matar ou morrer e lamentavél.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acredito que a realidade vivencia pelos autores e tão chocante, que torna-se

      difícil descrever, tudo que esta a nossa volta, no entanto esconhecemos,

      pois só conseguimos olhar e chorar com o outro quando e algo quer nos

      atinga também caso contrario, enquanto e com o outro esta tudo bem!

      Parabéns pelo livro ele e de suma importancia para a PSICOLOGIA, pois

      nos faze refletir, aqui viemos.

      Excluir