segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A melhor dupla e trio do Mundo



Acredito que todo o ser humano conhece o que é o amor de irmão, o laço fraternal, as brincadeiras e as brigas de sempre. Mas o meu sempre foi diferente, tive um irmão gêmeo, e por mais que as pessoas perguntassem: " vocês são idênticos?".NAÃO, não somos, pois eu sou mulher e ele homem, isso é lógica.

Pois bem, crescemos brincando entre si, chorando ao mesmo tempo, dividindo muitos brinquedos, e sempre compartilhando o mesmo quarto, admito, tínhamos medo do escuro. Minha mãe e irmã ficavam loucas conosco, quando pequenos bebemos detergente, pegamos catapora juntos, estudamos sempre juntos, na mesma sala, com os mesmos amigos e professores. Sim, sempre conseguimos compartilhar nossos amigos. Por volta da quarta série descobrimos nosso primeiro melhor amigo, o Patrick. Formamos então um pequeno trio inseparável, ás vezes eu olhava ao meu redor e via que todas as meninas da escola tinham amigas, mas eu não, tinha dois melhores amigos, e eles cuidavam de mim.

Crescemos juntos, os três, dividindo e compartilhando a amizade, a raiva, a fraternidade e as intrigas, éramos inseparáveis. Até que um belo dia o Patrick não pôde estudar na mesma sala que nós, no entanto isso não nos distanciou, no intervalo nos encontrávamos e ficávamos lá, parados em frente ao portão esperando o recreio passar, eu tinha medo daquela escola, e acredito que o Maycon também.
O tempo foi passando, nós fomos crescendo, sempre unidos, alternando as brincadeiras entre a minha casa, a casa do Patrick, e a rua.

Quando fizemos 13 anos, o destino nos separou, eu e o Maycon fomos morar em Porto Seguro e o Patrick ficou em São Paulo. Foi uma mudança rápida e inesperada, porém, muito triste e dolorosa. Tentamos manter contato com o Patrick, mas lá não era possível, então, sobrou nós dois, os gêmeos, para enfrentar a nova vida, e enfrentamos muito bem, na mesma escola, mesma sala, amigos e professores novamente. Por algumas vezes o Maycon ia em São Paulo visitar meu pai, e eu tinha medo de que ele resolvesse ficar lá e me deixar sozinha, mas para minha alegria ele sempre voltava.

Amadurecemos juntos, gostavámos das mesmas músicas, e não gostávamos de axé e carnaval. Em São Paulo o Maycon havia ganhado uma bateria, mas foi em Porto Seguro que ele realmente se dedicou em tocá-la. Formou a primeira banda, fez o primeiro show e se impregnou de música. Com pouco tempo fomos morar no Espírito Santo, senti que ele não queria se separar da banda, mas aceitou ir, sempre foi muito pacífico. Nos primeiros dias na escola lembro que sentávamos juntos, como de costume, e ficavámos calados, nunca fomos bons em fazer novos amigos tão rápido. Com pouco tempo os capixabas nos fez sentir em casa, conservamos grandes amizades com várias figuras incríveis, que prefiro não citar nomes para não haver ciúmes.

Com o tempo ele vendeu a bateria pois não tinha com quem tocar, e nós arrumamos um estágio juntos, fazendo o mesmo serviço: Cuidar de criancinhas atentadas. Definitivamente, não nos demos bem com aquilo!
Tudo corria bem, até que no ano seguinte apareceu a UFES em nossas vidas, a chance de concorrer por um vaga, ou melhor, duas. Fizemos a prova do PUPT, mas para minha infelicidade só eu passei, ele começou a fazer outro cursinho público. Foi a nossa primeira grande "separação" nos estudos. Estudávamos de manhã juntos, e a noite cada um no seu cursinho.

O que passou a me incomodar foi a escolha do curso, quase escolhemos a mesma área, ele publicidade e eu jornalismo. Daí, veio um grande baque, ele passou e eu não. Para mim foi um desastre dos piores, e ele ficou triste por tudo. Mas iniciou uma pequena longa jornada rumo a UFES, e eu rumo ao Vasco Coutinho com meu curso de R&TV. Foi a primeira vez em todos os anos que não tinhámos os mesmos amigos e as mesmas conversas, um tempo estranho, onde cada um, na marra, aprendeu a se virar sozinho sem o outro, pelo menos enquanto estávamos estudando.

Mesmo assim, passavámos grande parte do tempo juntos, inventando apelidos, assistindo as mesmas coisas, crescendo juntos. Até que ele finalmente encontrou uma banda, fizeram os primeiros ensaios, o primeiro show e isso foi o bastante para que voltasse a se impregnar de música, tudo que ele sempre quis. O Patrick estava lá, pela internet crescido, rockeiro, com uma banda, e a vontade de levar tudo a sério, não vimos ele crescer conosco, mas o trio inseparável sempre esteve em nossos corações.

De repente, de súbito impacto o Maycon e o Patrick se unem e resolvem levar a música à sério, estudá-la juntos, novamente, depois de tanto tempo. A princípio eu achei que não passava de uma mera vontade, mas com poucos dias vi meu irmão se render à música, largar o curso de publicidade na UFES, se despedir dos amigos, enfrentar meu pai, e partir de malas prontas pra Sampa, em busca da tão sonhada música. Chorei, pela primeira vez vi meu gêmeo partir pra longe de mim, tão rápido. Lembro que em uma conversa com o Patrick pela internet ele me disse: " A gente volta pra te buscar". E essa frase me deixou emocionada e com a certeza de que eu sempre vou tê-los comigo.

Talvez eu não precise que me busquem, acho que meu lugar é aqui, tudo que quero está aqui, por isso entendo a escolha do meu irmão em ir, tudo o que ele quer está lá. E hoje estamos assim, ele lá com o Patrick e eu aqui, parece até destino, o antigo trio de três crianças pequenas hoje está mais vivo que nunca. Pode parecer que faz tempo que o Maycon viajou, mas só faz uma semana, para muitos pode parecer melancólico eu escrever a tragetória da nossas vidas só porque meu irmão viajou, mas eu sei que só nós dois entendemos nosso laço, somos mais do que irmãos, somos gêmeos.




Magalli Souza

7 comentários:

  1. nossa magalli sem palavras esse trio vai longe mesmo e saiba q o maycon vai estar bem aqui ta
    eo Te Amo muito mocinha

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  2. Que história, heim... isso dá uma bela biografia... a relação com irmão é sempre muito forte, muitas brigas e muitos cuidados também, no caso de irmãos gêmeos acredito que coisa mude de figura... nasceram praticamente juntos e toda essa proximidade faz-nos sentir parte daquela pessoa... Adorei conhecer a história de vcs e do outro irmaõzinho que é o Patrick... esse trio fantástico tem futuro e terá ainda muitas histórias boas para contar... e eu quero saber!!!

    Um beijo e força sempre pra vocês (Magally, Maycon e Patrick!).

    Elaine Rodrigues
    Aluna do Curso de RTV

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  3. Nuss, ganhei dois textos incríveis. E este particularmente me emocionou mais prq vem de alguém extremante importante na minha história.

    Tenhop certeza q a distância servorá pra nos unirmos mais!
    Bjo Lawdeany Te amo!

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  4. É sempre bom aprender um pouco mais da vida de um amigo, inclusive da irmã de um amigo que escolheu a mesma profissão que eu. E é melhor ainda quando você descobre que ainda existem pessoas que, realmente, prezam a amizade e o amor.

    (Tá ficou meio piegas esse comentário, eu sei.)

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  5. Vlw pelos comentários galera, e não tem nada piegas! rs

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  6. Que fofo Magal, dá até pra produzir um filme com essa história...Vamos?
    Mas agora falando mais sério;imagino como deve ser doloroso essa separação, pq toda separação e mudança gera dor, mas é necessário para o nosso crescimento e amadurecimento!
    Um abração e força na piruca...(kkkkkkkkk)

    Lorena S.de Souza
    RTV

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  7. Nossa Magally, lindo o que você escreveu. Um belo texto do fundo do coração. Quase chorei. Fico feliz em ver uma amiga feliz e inteligente, pois seu texto ficou demais. Tenho certeza que vai dar tudo certo no curso de jornalismo, é nozes. #jornalismorules

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