sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O sufoco



Indiferença, algo que todos sentem, mas poucos confessam, na verdade tenho uma teoria: Somos todos indiferentes, porém o grau e a intensidade das indiferenças variam de um para o outro. Mas, não posso dizer que ser indiferente está na índole do ser humano, pois meu Mundo se limita aos poucos lugares do Brasil em que visitei, e só a partir deles é que posso dizer: Acredito que a indiferença é algo intrínseco dentro das veias suadas dos brasileiros. Minha concepção de indiferença se resume ao ato de agirmos com insensibilidade para com a situação do próximo, enxergar a dor alheia como um tédio. Mas, e a explicação para isso? Será que foi o sistema capitalista que, de forma opressora, nos implantou uma resistência aos sentimentos dos outros? Ou será que, acreditamos nisso para nos livrarmos da condição de máquinas com cérebros confusos e coração embolorado de insensibilidade?

Sim, os olhos dos brasileiros que encontro todos os dias nas ruas se desviam da realidade que nosso cotidiano oferece. Ignoram o fato de sermos semelhantes, rejeitam a comoção. Certo dia, dentro no ônibus um jovem negro, com uma sacola na mão, entrou e procurou um lugar para se acomodar, era visível que algumas pessoas seguraram com força as próprias bolsas, num ato imedido de temer um roubo. O jovem acanhado e mal vestido percebeu as atitudes, mas as ignorou. Sentou-se logo a minha frente e perguntou para a senhora do lado para onde o ônibus iria, a senhora fingiu não escutar a pergunta e permaneceu calada. Um silêncio que impossibilitou o jovem de saber para onde estava indo, mas acima de tudo, um silêncio que lhe dilacerou a alma e o apunhalou com a vergonha de não ser correspondido.

Atitudes mesquinhas e impensadas nos mostram que a confiabilidade do povo se perdeu em meio as vielas escuras das ruas, e hoje nos resta o sufoco de sermos seres humanos. O garoto voltou-se para trás, onde me avistou e perguntou a mesma coisa, eu disse que não sabia, afinal sempre desço antes. Mas antes dele se virar, perguntei ao senhor ao lado se sabia o rumo do ônibus, ele respondeu e eu repeti as palavras para o garoto. Fui prestativa, era apenas isso que ele precisava, palavras que não exalassem o medo. Mas medo do quê? Da cor escura? Ou da roupa suja? Acredito que, o medo de todos era mostrar o lado humano que ainda está guardado em nosso corpo, talvez nos olhos, nas mãos. Mas eu sei que está guardado em algum lugar.

Escutei, ainda essa semana, que é preciso acreditar no ser humano. E perguntei a mim mesma: Eu ainda acredito no ser humano? Sinceramente, se eu dissesse um SIM estaria mentindo para minha própria consciência. Afinal, responder uma pergunta de um jovem ignorado é um ato que faz de mim uma pessoa mais humana? Não posso deixar de lado todas as vezes que, inconseqüentemente, fingi não enxergar o andarilho, que mora na calçada, ou as crianças que fazem malabarismos nos sinais. Olhei para dentro de mim e procurei minhas esperanças, mas só encontrei alguns vestígios delas misturadas ao egoísmo.

Pouco tempo depois o jovem se virou novamente e perguntou para onde eu iria, respondi e ele acrescentou: Você 'tá' indo pra faculdade? Eu disse que não, na verdade, estava voltando dela e indo rumo a minha casa. Percebi um olhar de agradecimento pelas respostas, pode parecer mentira, mas me orgulhei de não tê-lo ignorado. Meu ponto já estava se aproximando, sinalizei para que o ônibus parasse e, quando me levantei para descer percebi que os olhares indiferentes, que antes rondavam o garoto, agora estavam me cercando. Me senti na pele do garoto por alguns segundos. Me incomodou muito, desci e me aliviei daquele sufoco. Mas e o garoto, quando se livrará do incomodo de ser um sufoco?


sábado, 23 de outubro de 2010

Saudade


Não é algo claro, nunca ouvi palavras que possam explicá-la. Nem mesmo o dicionário, com sua notável inteligência, me convence do que seja a saudade:


"Lembrança grata de pessoa ausente ou

de alguma coisa de que alguém se vê privado"


Lembranças são só lembranças, sejam boas ou ruins.

Saudade é algo preso dentro de nós, escondido.

E aparece em momentos nostálgicos, para nos

lembrar que por trás de nosso ego inflado

existe um ser tão frágil e desprotegido,

que implora por uma vida boa.


A falta de tudo, de pessoas, momentos, lugares

e aromas são resquícios de um tempo

que se foi, mas antes de ir

fez questão de deixar

um rastro marcado

nas raízes do

nosso peito.

Um beijo

na alma.

É por ela que não nos privamos da vida, pois faz questão

de guardar cada sentimento passado, intenso e doce

para depois abrirmos essa caixa e nos depararmos

com a brisa suave de tempos felizes.

E calha no pensamento a dúvida:

O presente é tão bom

quanto foi o

passado?

Com ela quero passar o resto de meus dias,

mesmo que seja a saudade de ontem, ou

a de anos atrás, sempre será suficiente.

E se o que vivo hoje não valer a pena

irei fazer da saudade meu

portifólio de vida.



"Saudades é um dos sentimentos mais urgentes que existem"

(Clarice Lispector)


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Resenha do livro "Cabeça de Porco"


Segundo o dicionário online inFormal o termo Cabeça de porco significa "habitação coletiva de pessoas de classe pobre; cortiço". Hoje já é possível acrescentar também o ambiente "favela" no significado, pois no livro Cabeça de Porco percebe-se que tal termo é usado para designar não só o local, mas também a boca de fumo, lugar onde acontece a "economia", algo que veremos adiante.

O livro é fruto de uma parceria entre MV Bill (Rapper), Luiz Eduardo Soares (Antropólogo) e Celso Athayde (Produtor de MV Bill, idealizador e coordenador da CUFA - Central Única das Favelas) onde se reuniram em um só tema. Muitos diriam que a obra retrata a violência nas favelas, outros apontariam apenas as "ramificações" da vida no morro, são elas: Criminalidade, drogas ou tráfico. Eu digo que todos os exemplos estão certos, e ainda há mais o que acrescentar, como a desestruturação familiar, o desamparo social, a corrupção da polícia, o racismo, entre outros, por isso mesmo irei unir todas essas subdivisões e definir o tema do livro como: A vida na Favela.

A obra parte de uma pesquisa que MV Bill e Celso Athayde iniciaram para retratar como vivem as comunidades marginalizadas. Eles percorreram o Brasil de Norte a Sul e visitaram as favelas mais conhecidas pela violência e criminalidade, uma jornada angustiante a cada parada. Vivem a realidade de um Brasil que poucos conhecem, e por isso mesmo quem nos apresenta esse contexto são os relatos de moradores, com histórias marcadas pelo sofrimento da violência, das drogas e mortes.


Os relatos mostram a bola de neve em que a situação se transformou, a começar pela economia das drogas, sim, esse produto que a sociedade vulgariza e condena é a fonte de renda de muitas pessoas que trabalham, vigiam, matam e vendem para sobreviver nesse meio. Na maioria dos casos quem usa as drogas como fonte financeira também se envolve como usuário, e o mais chocante é que mais da metade dos envolvidos são crianças e adolescentes que foram "recrutadas" para essa vida.


Em meio às histórias impactantes, há situações de racismo e preconceito em que os próprios autores revelam ter passado. E para intercalar e até dar sentido ao sentimento de revolta que é causado nos leitores, o livro dispõe as análises de Luiz Eduardo Soares, que uniu sua pesquisa e formou questionamentos tocantes e reais, além de examinar as condições de vida e o psicológico de cada situação. Com ele percebe-se que a pesquisa não apenas apresenta um problema, mas o explica e nos mostra como tudo chegou a tal ponto, instiga os leitores a reagirem e a estudarem sobre alguma solução. Por falar nela, a solução não é algo fácil e tão esperado, na verdade já se inicia o livro com a seguinte proposta: "A intenção deste livro não é denunciar, mas apontar saídas". Entretanto, em várias outras passagens percebe-se que os próprios autores temem não haver saída.

O leitor lida o tempo todo com o chamado "sistema", que sobrevive pela economia dos produtos ilícitos e leva crianças e jovens a trabalharem em prol disso para sobreviverem. A desestruturação familiar é a causa que, na maioria das vezes, induz menores de idade a buscar ajuda financeira, e apoio ou incentivo moral. Para isso eles aprendem a mexer com armas, matam quando é preciso e usam drogas para ficarem alertas a qualquer entrada da polícia na favela. E ao fim o "sistema" só sobrevive se a polícia deixar, algo contraditório, mas a polícia ajuda, cobra propina, favorece certas bocas de fumo, ignora situações de risco na comunidade. Sendo assim, não cumprem o papel de ajudar a comunidade, apenas levam adiante o "sistema".

É uma obra que nos leva a pensar, questionar, não parar por aqui e buscar cada vez mais entender e descobrir esse outro Brasil escondido. Talvez não se possa ajudar em muita coisa efetivamente, mas compreender o que se passar já é algo muito bom para adquirir criticidade sobre um assunto que só é conhecido publicamente do ponto de vista do policial e do Estado. Cabeça de Porco é uma chance de mostrar o outro lado da moeda, e indagar a sociedade se realmente houve alternativas para os indivíduos que chamamos de bandidos, que tratamos com frieza, que escorraçamos de nosso meio, mas que são seres humanos iguais, tão iguais a nós.



Resenha feita por Magalli Lima
para a aula de: Teorias e práticas jornalísticas
Matéria do curso de Jornalismo da
Universidade Federal do Espírito Santo


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Se-gre-gan-do (Mais um conto sem sentido)




Na biblioteca
- Quero devolver esse livro
- Sua senha?

162*****

- Estamos fazendo uma pesquisa sobre as leituras, você gostou do livro?
- Não
- Ok
...

- Mas não me inclua no grupo dos que não gostaram do livro!
- Porque?
- É que eu adorei certas citações, mas odeie outras, discordei de tantas coisas, mas o livro é excelente.

??

- Então você gostou do livro?
- Sim,... mas não me inclua na lista de quem gostou do livro!
- Como assim? Gostou ou não?
- Já disse que odiei e amei ao mesmo tempo, mas isso não quer dizer que você deve me impor grupos, isso é segregação!
- Isso só é uma avaliação do livro, é só me dizer se gostou ou não.
- Só existem dois grupos? Os que gostaram e os que odiaram?
- Sim
- Isso é errado! Eu não sei se quero ser dos grupo dos amantes ou dos indiferentes, eu simplesmente não quero me enquadrar num grupo definido por você, e se eu não me identificar com eles?
- Isso é uma lista, apenas uma lista!
- Mas eu quero fazer parte da lista por completo, e não apenas ser UMA parte da lista, entende?
- Entendo.
- Sério?
- Sim
- Que ótimo!
- Sim... você está em cima do muro!
- O_o (puff)

domingo, 15 de agosto de 2010

Detalhes de uma ressaca



Um dia ele acordou atrasado, nunca isso havia acontecido antes... Olheiras, dor de cabeça, no nariz e nos pés. Se olhou no espelho, o nariz estava quebrado, mas não era só isso, faltava algo, não sabia o que, mas faltava. Escovou os dentes, gosto amargo na boca, roupa rasgada e suja. Tomou banho, foi para cozinha, olhou ao redor, percebeu, descobriu, aquela não era sua casa... Paredes rosas, abajur amarelo, cortinas desbotadas.

Andou até uma porta, estava trancada, chegou na sala, estava vazia, espiou na segunda porta, havia alguém lá dormindo... Saiu na ponta dos pés, silêncio absoluto, várias dúvidas na cabeça, o sol já batia em cheio, e agora?
Não quis ir embora, decidiu esperar, não estava assustado apenas queria saber o que acontecera...Imaginou mil coisas... talvez tivesse ido a uma festa, bebeu, perdeu a lúcidez, entrou numa briga, quebrou o nariz e estava de ressaca. Que festa? Com quem? Amnésia alcoólica? Ficou feliz, o primeiro porre da vida, que máximo, precioso, sentiu-se estupendo, haveria história para contar, afinal, relações sociais nunca foram o seu forte...

Já estava decido, havia tomado um porre, brigou, desmaiou na festa e foi levado por alguém, que provavelmente era a pessoa que estava dormindo no quarto ao lado. O gosto amargo na boca, a dor de cabeça e nos pés eram as pistas da ressaca. Aquela sensação era única, uma dor agradável, seu estômago perecia destruído, o nariz mal respirava, nem a própria alma parecia lhe acompanhar naquela manhã estranha.

Adormeceu no sofá sujo a espera de uma resposta, nem precisou sonhar, afinal aquilo já era um sonho: A ressaca. Passou o tempo, um barulho surgiu no quarto, acordou assustado e antes que pudesse chegar ao local uma mulher saiu do cômodo.

-Tudo bem com você?

Não respondeu nada, ficou intacto, uma mulher bonita estava lhe fazendo uma pergunta vestida de camisola. Só pensava em questionar: Ficamos juntos a noite passada!?... Respirou, pensou e disse com um leve sorriso na fala:

- Eu não lembro nem o meu nome.

Ela o observou com um olhar de preocupação, permaneceu calada, mas ao perceber o desamparo de idéias do colega resolveu ajudar.

- Bom, você consegue voltar pra casa? Eu preciso ir trabalhar.
- ... Ah, claro. Qual o se...?

Foi interrompido, ela saiu arrumando a casa, pegando as bagunças, parecia estar com pressa, foi para o outro quarto e de lá perguntou gritando:

- Você já se olhou no espelho?
- Já, meu nariz "tá" quebrado
- Além do nariz?

Apesar de saber que era apenas o nariz ele seguiu até o banheiro de novo e foi diretamente para o espelho. Se olhou com detalhes, a sobrancelha estava lá, os dentes também, o nariz estava destruído, o que era então? Ele sabia, havia algo de errado. Pensou, repensou, e nada, ficou irritado, saiu do banheiro as pressas pronto para esbravejar á mulher todas as dúvidas que lhe dilaceravam.

- Olha aqui! Eu não sei onde eu "tô", nem quem é você, não tem nada de errado na minha cara, pelo amor de Deus me diz O QUE EU FIZ NA NOITE PASSADA!?

- Você está sem sua lente, sem seu aparelho, levaram sua carteira, te fizeram beber água da poça e correr todo o quarteirão sem sapatos, eu te ajudei quando você desmaiou e você ainda me trata assim? Sai da minha casa!















Magalli Lima

sábado, 14 de agosto de 2010

Mundo surdo, ouvidos mudos... Mundo dos ouvidos surdos...Ouvi....

Essa semana fizeram a seguinte pergunta: Sobre o que você escreve?
Não soube responder, embolei, me livrei da pergunta. Agora reflito, realmente não sei sobre o que escrevo. Em prosa, poema, parágrafos, símbolos... Um pouco de tudo, muito de nada.

Já pensei em fazer desse blog uma espécie de jornal online, ou talvez um espaço para poemas, falar só de música, só de filmes, resenhas, e nunca decidi, na verdade olho para todas as minhas postagens e tenho a certeza do que ele não é... não é um diário, nem um jornal online, tão pouco um espaço para poemas, resenhas ou músicas.

O nome dele (Mundo Mudo, Ouvidos Surdos) é o que me atrai a escrever aqui, surgiu de uma mistura da música da banda Terceira Edição, de rimas, e combinações feitas por mim, acho forte. Mas, a maioria das pessoas que lêem o blog não sabem o nome ao certo. - Ah, o blog dos ouvidos mudos né?... (Talvez não seja tão forte assim como eu penso, mas prefiro me iludir nisso.)

Escrevo misturas e aromas diferente, as vezes criativos, inovadores, as vezes comuns e sem cheiro de nada. A única certeza que tenho daqui é: Cada texto que posto é como se fosse o meu melhor de todos. (Mesmo não sendo)

Já fazem dois anos que tenho ele, muito tempo para pouca coisa, ou muita coisa para pouco tempo? Não sei, só sei que foi assim. (Parafraseando João Grilo)


Magalli Lima

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Esboço musical


Porque a música é a principal fonte de minha inspiração em dedicar poucos minutos a este blog.
É por ela que tenho esta visão, da vida, do Mundo, da minha pequena caverna.
Neste momento escrevo ao som de cordas, timbres, acordes, vozes.
É lírico, é intenso, enaltece, limpa e suja a alma.
É a música que divide os grupos, seus seguidores, os amantes.

Quase nunca é fácil escrever coisas bonitas, construtivas e tocantes, não importa, é difícil escrever, "criptografar" musicalmente.
Algo bonito sempre surge quando estamos impossibilitados de pegar uma caneta e marcar no papel. Foge rápido da mente para quem não nasceu com o dom. E sim, existe o dom!

Um bom violão ao fundo de uma bela voz pode relembrar momentos felizes,
abrilhantar um encontro,
enobrecer uma leitura,
acalentar um coração solitário, ou entristecê-lo.


E a voz que nos passa isso sempre será a voz valente que soltou o som necessário para a sobrevivência da música que cativa o espírito;
Bela música, palavras unidas, timbres, versos, rimas, guitarras, peso, microfonia.
E se eu fosse um deles, seria tudo diferente...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quem quer ser um milionário (de inteligência) ?


Falar de política hoje é sinônimo de "patriota". Em épocas de eleições surgem discursos nacionalistas de pessoas que só se arriscam a falar sobre o assunto quando as eleições estão próximas. A pessoa pode ter passado o ano inteiro falando sobre coisas bobas, irrelevantes ou inúteis, mas se em épocas de eleições ela escrever algo no twitter, blog, ou orkut que mencione o nome de algum político isso será o suficiente para ela se auto denominar o PATRIOTA, o preocupadinho com a vida política do Brasil.


Não importa o que você fale sobre política, na verdade, você nem precisa saber do que está falando, o importante é falar, apenas xingar o Lula, a Dilma, chamar a Marina de crente patética e o Serra de velho louco. Com esse discurso você DEVE exigir que te olhem como o intelectualzinho da turma, seu twitter será muito mais "inteligente", as pessoas irão te admirar e o seu orkut servirá para algo além de exibir as trocentas fotos que você coloca apenas para mostrar aos outros que você tem uma vida social extremamente saudável!


E se você além de querer essa inteligencia instantânea que as eleições nos trazem também quiser ser o contrariador da parada, então diga que ira votar no SERRA. É só você argumentar "inteligentemente" que o Lula é analfabeto e só soube fazer bolsas de assistencialismo aos pobres e que a Dilma fará a mesma coisa. Depois desse discurso diga que o Serra tem gradução e tudo, PRONTO, você além de inteligente será o FODÃO que realmente estuda sobre política.

Mas se você ainda não estiver satisfeito com TUDO ISSO, seja então o DEUS da política, o maioral e diga que você vai votar NULO porque todos os políticos são corruptos. Cara, depois disso você estará no patamar do Arnaldo Jabor, agora é só você mostrar que é moderninho e criar um vlog criticando tudo o que você vê pela frente, pode ter certeza que Montesquieu estará orgulhoso de você.


Bom, depois dessa postagem eu tenho CERTEZA que meu blog será um dos mais inteligentes do país, que as pessoas irão me olhar como a jovem que quer mudar o Mundo, e com certeza todos irão achar que eu saco muito de política. E para firmar minha inteligencia política é só eu escrever que: O Brasil só será um país melhor quando todos resolverem se CONSCIENTIZAR sobre a importancia da política. PRONTO, nem preciso dizer que sou aluna de jornalismo (porque quem faz jornalismo é intelectual).





Magalli Lima

sexta-feira, 2 de julho de 2010

...?

Ultimamente estou sendo chata, conversas longas, cafés intensos, tentar entender a psicologia humana, estudar fria e calculadamente as pessoas que me rodeiam. Ler blogs de pessoas que considero incríveis, ficar meia hora na página do twitter lendo as frases aleatórias que as pessoas escrevem, escrevem muito e não dizem nada.
Isso não era normal para mim, sempre minha idéias acumulavam e adquiriam personificação em forma de textos. Hoje nada mais são do que idéias acumuladas, emboladas, entupidas, esquecidas e perdidas nesse meio tempo em que fico quase duas horas dentro do transcol com um fone no ouvido, sendo egoísta o suficiente para não escutar a conversa alheia e me trancar no mundo das músicas que me agradam. Estou sendo mais EU do que nunca.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O que eu não preciso mais entender

De algum tempo pra cá venho desacreditando em muitas coisas, coisas que não são concretas, que nunca se viu antes e nem sabemos se existe. Tento enxergar com outros olhos o que me certa, essa sociedade me assusta, hábitos mais radicais a cada dia, e eu apenas acompanho silenciosa o que acontece. E como acontece depressa! Tudo está tão rápido, só sabemos que existe uma divisão entre o certo e o errado não há um meio termo, não existe algo que seja certo e errado ao mesmo tempo. A única coisa que eles acreditam é: Há alguém nos vigiando 24 horas e este alguém nos julgará no final das contas.

O problema é esse, sempre ouvimos a palavras: JULGAMENTO. Nunca analisamos o porque deste julgamento, e tenho pra mim que no fim das contas a humanidade estará errada, desde os que se sentam todos os dias num banco de uma igreja até os que saem todos os finais de semana para a diversão precisa. Não acredito mais que existe alguém que nos julga a vida inteira, acredito que existe alguém que nos AJUDA a vida inteira - É esse o meu novo ponto de vista!




Ass: Magalli Lima

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O que é original?


Ultimamente me pergunto o que é original?
Não sei mais em quem deposito minha confiança "internetez" de veracidade.
Difício de entender? Mas fácil de explicar! :

Todos os dias na internet surgem novas bandas, novos blogs, novos twitter's, e novos vlogs, este ultimo é a minha mais nova mania, adoro saber a opnião das pessoas, por isso gosto de twitter e vlogs. Certo dia no twitter um colega deixou o link de um vlog de um nerd chamado PC SIQUEIRA, nos primeiros minutos ADOREI as palavras do cara, as idéias, o sarcasmo na opnião, enfim, virei assídua de todos os vídeos do vlog MASPOXAVIDA do PC SIQUEIRA, era só ele postar e lá estava eu para conhecer mais aquele cara.

Com poucas semanas o cara estava tão conhecido quanto a Lady Gaga (tá, mentira, mas ele está MUITO conhecido), e eu fiquei feliz por isso, mas... (sempre tem um MAS) de repente, do nada, começaram a surgir 32262629 mil vlogs no youtube, era como se em cada minuto alguém, sem nada pra fazer, resolvesse ter a "brilhante" idéia de criar um vlog e imitar as mesmas coisas que o PC faz. Começaram a surgir figuras idênticas ao PC, todo mundo quer ser o PC, e os copiões imitaram até a edição dos vídeos do PC.

Tem um cara chamado FELIPE NETO que faz tanto sucesso como o PC, e o cara é um colão, mas pelo menos ele sabe falar, porque tem umas figuras ridículas que tentam imitar o PC mas não sabem nem falar, sozinhos, na frente de uma câmera. O mais surpreendente de tudo (pelo menos para mim) é que começaram a surgir boatos de que o PC é um personagem criado, (Eu hein!), o meu irmão me falou isso e dois amigos também afirmaram. O que eu penso é o seguinte:

Mesmo que o PC seja um personagem criado ele é original, ninguém antes dele teve a idéia de fazer um vlog de nerd que falasse coisas construtivas e idiotas sobre assuntos que todo mundo pensa mas não para pra discutir. O cara foi tão bom que conseguiu milhões de views no youtube e ainda foi convidado pra postar no portal da MTV. E não é porque ele fez sucesso que trocentas mil pessoas devem imitá-lo! Isso é ridículo, porque não tentam algo original? Essa idéia de que "Nada se cria, tudo se copia" é extremamente preguiçosa e egoísta, é praticamente assumir que não se tem capacidade para criar.

Eu não estou defendendo o PC, só quero firmar que hoje em dia está tudo muito idiota, não há mais cérebros pensantes como antigamente ( e olha que eu tenho 19 anos). Sair por ai copiando e reproduzindo os outros é COMPLETAMENTE imbecil! Seu eu vivesse até o próximo século e me perguntassem: Porque as criações no seu século foram tão poucas? Eu diria: Porque muitos estavam preocupados em imitar a Lady Gaga, ser fã do restart e do cine, xingar 'MUITO no twitter' e procurar no youtube qual é o nova moda do momento para copiar.




Magalli Lima

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Boca que xinga!


Xingar já virou uma arte, é status de descolado.
Quem não xinga é certinho ou careta, tira-se o educado da história. Até os avós e pais xingam;
As mulheres xingam (isso seria um absurdo há algum tempo atrás!)
Os homens xingam, pra mostrar que são MACHOS.
Nossos cachorros latem xingando, nossos gatos miam dizendo: otário!
As moscas chingam quando tentamos matá-las, TODOS XINGAM!

E porque não xingar?
Quem disse que caralho é uma palavra feia? Bunda é mais feio que isso!

Os intelectuais xingam para mostrar que não têem preconceito...
os "favelados" xingam, e todos lhes vêem como: bandidos
Os professores xingam e ganham o respeito dos alunos.
O analfabeto xinga e valoriza sua ignorância.
Os policiais xingam em prol do "respeito".

Nos filmes brasileiros explora-se palavrões e todos acham uma puta sacanagem!
Enquanto nos filmes hollywoodianos um FUCK é engraçado, ainda mais se for intercalado com cenas de sexo num besteirol americano onde jovens fazem imbecilidades , fica "glorioso"!!

...

Você xinga porque é universitário
Ele xinga para ser maior
Aqueles xingam para roubar nosso dinheiro
Os outros chingam por pensarem inteligentemente
Eu NÃO xingo porque ainda não encontrei meu grupo: Os não-xingadores que NÃO são membros de igrejas cristãs e se expressam bem sem palavras denominadas: palavrões!






MAgalli Lima

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aprendiz de adulto

Ser adulto é, definitivamente, ser inconstante, indeciso, imprudente, inconsequente. Todos são assim quando descobrem que estão crescendo, pois crescer é sinônimo de ser independente, não dever nada a ninguém, seguir um rumo sem prestar contas. Isso deveria ser a realidade de ser adulto, mas não é assim, todos sabem.

Um adulto tem em si todos os defeitos do Mundo dentro do peito, quando se é "grande" achamos que já aprendemos de tudo, vivenciamos todos os ambientes, conhecemos a nós mesmos, entretanto a verdade é bem mais cruel do que se pensa. Aproveitam-se do momento de ser "responsável" para por em prática todos os erros que podem ser cometidos, todos as falcatruas que podem ser feitas, e todas as decepções que jamais pensaríamos em construir.

Tenho pra mim que quando criança somos mais responsáveis do que quando adultos, pois, pequenos, temos o dever de prestar contas ás nossas mães, fazer tudo certo para não decepcioná-las, andar na linha sempre,cumprir com nossos deveres, ser correto, gentil, boa pessoa, resumindo, temos alguém que nos cobra responsabilidade e nos batem se não cumprirmos elas.

A partir do momento em que nossos pés andam sozinhos sentimos o prazer de exercer os erros, de esquecer os acertos, de quebrar a cara para sentir qual é o gosto do chão. Esse sim é o prazer de um 'aprendiz' adulto, esquecer a responsabilidade e partir para a estupidez, ignorância, imprudência, indecisão. Aliás, a indecisão poderia ser um dos sinônimos de adulto, pois não há ser mais indeciso que um aprendiz de adulto, afinal, decidir para onde seguir a vida, por quais caminhos asfaltar, é mais difícil do que imaginávamos quando pirralhos.

Nos ferramos com gosto, não há ninguém para cobrar, pedir, autorizar, impor, e ao fim nos dar um colo de apoio. Acho que o único mal das mães é pensar que quando adultos os filhos não precisam mais delas, afinal, somos criados para o Mundo. Erram ao pensarem assim, pois é quando descobrimos que somos adultos que precisamos de colo, puxadas de orelha, castigos, palmadas e dias sem assistir TV.

E não adianta negar, quando envelhecermos seremos pais e mães idênticos aos nossos, e quando nossas crias completarem 18 anos iremos soltá-las ao Mundo para quebrarem a cara, beijarem o chão, caírem de porre e ao final dizerem: Meu pais me ensinaram tudo!


Magalli Lima

quarta-feira, 24 de março de 2010

Todas as faces




Não falo do lado bom ou ruim, da parte bonita ou feia. Falo do pensamento, dos credos, dos ensinamentos religiosos ou nada religiosos que cada um segue, e ACHA ser o mais correto. Não é preciso conversar com um amigo para saber a maneira que ele segue a vida, basta observar atitudes, frases, roupas, e até cabelos.
São com observações que se descobre algumas verdades escondidas de cada ser. Os religiosos que andam "bem vestidos" e espalham a leitura da bíblia pelas casas em dia de domingo, antes de nos cumprimentar sempre olham as roupas que cada um veste, são eles os que julgam por aparência.

As meninas descendentes de europeus que namoram a mesma linhagem, são em grande parte racistas, mas não admitem. Os alunos de instituições privilegiadas que estudam muito para o vestibular e não passam por causa das cotas, são compreensivos?...NÃO, são a base da raiva que permeia os contras dos cotistas. E os privilegiados com as cotas que pretendem ser médicos mas acabam por terapeutas ou farmacêuticos, são eles as pessoas que não apostaram no próprio potencial.

Os filhos de abastados que se abrigam nas drogas ou na violência, são eles acomodados pela fartura e carentes de sentimentos. E os filhos dos não-abastados, que sem envolvem com drogas e tráfico, são eles acomodados,mas não pela fartura, e sim pela miserabilidade que o Governo impõe sobre eles, aceitam passivos.

Aqueles que sempre precisam lembrar das próprias conquistas, são eles carentes de si mesmos. Os que optam pela maneira mais fácil e simples, são eles conformados com a inferioridade. Já os que não se abalam quando vêem um pai que mata a própria filha pequena, são as pilastras que o "meio" formou.

Quando alguém nega algo, dizemos que são egoístas. Se entregam tudo de bandeja são manipuláveis, se riem de tudo é porque não têem nada a dizer, se nunca têem opinião é por falta de personalidade, se não firmam compromissos são irresponsáveis, se nunca estão na hora devida não são confiáveis.
Julgamos o tempo todo, eu acabei de julgar centenas de coisas, você nesse momento deve me julgar pelo o que escrevi. Somos formadores de opinião, não negamos a raça de cochicar, falar mal, comentar, reclamar, e seja lá quantos títulos a palavra JULGAR recebe, não temos de nos envergonhar pois fazemos o tempo todo, agora.

terça-feira, 16 de março de 2010

Retas e desvios



Nunca me perguntei o que realmente quero da vida, o que espero dela, talvez não tenha me questionado por falta de uma resposta. Na verdade, é algo que nunca ouvi de nenhuma pessoa, todos esperam por alguma coisa, mas ninguém sabe o que. Há objetivos, e são eles que me guiam, também são eles que mudam meu rumo. A única pergunta que me fiz e quero responder todos os dias é a respeito da felicidade. E defini: Eu sou feliz!

Nada na vida é irrelevante, até quando se chora no quarto sozinha, trancada, há algo relevante nisso, talvez o poder de saber se conter, se segurar e buscar força dentro de si, ou talvez apenas o poder de esconder a frustração. Decidi que nada será como acontecer. É claro que não quero modificar a vida, pois é um tanto estranho, mas os caminhos nós que traçamos sozinhos, e nos afogamos com aguá do nosso próprio suor, ou de nossas lágrimas.

É comum ouvir dizer: "Se eu voltasse no tempo nunca mudaria minhas atitudes". Não concordo, gostaria de ter uma oportunidade de rever certos conceitos que hoje não valorizo em mim, reveria meu tempo, minhas privações, meus medos, meus erros. E se é com erros e objetivos que se constrói uma vida, todos somos cúmplices da nossa tragetória. Talvez eu esteja sendo um pouco egoísta nessa teoria, pois se assim for somos os culpados por sermos nós mesmos. Assim, o motorista de ônibus merece tal emprego, o vendedor de balas construiu a própria ponte que segue, a dona de casa procurou o casamento, o andarilho andou até onde pôde, e eu escrevo para frisar que quero ser alguém na vida.

Não acredito em destino, mas sim em coincidências. Se alguém encontrou o amor perfeito em uma fila de loteria pode se considerar sortudo, e não "o escolhido". Também não acredito em "vida perfeita", há quem diga que um carro na garagem, uma casa própria e um salário de 5 mil reais é indicio de uma vida boa, provavelmente o dono disso tudo deve ser feliz SIM com o que tem, mas há quem "faça" a mesma felicidade fluir em condições de: Casa alugada, ônibus todos os dias, e salário de quinhentos reais.

A única coisa que não busco é a auto-suficiência, pois assim como diz a propaganda: "Ninguém vive triste, sozinho". Eu quero pessoas na minha vida, pois são elas que modificam meus objetivos e me fazem gritar, odiar, rir, brincar e gostar. Não me imagino daqui a dez anos, e nem quero imaginar, pois nem eu quero que meus planos dêem certo por completo, admito, não quero acordar de repente e perceber que tenho uma vida normal. Normal não é o que busco, é o que todos imaginam na mente, cada um de uma forma diferente, é isso, quero que o MEU normal seja diferente!


Ass: Magally Lima

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ser é ser, não há questão!

Sim, modifiquei a famosa e memorável frase de William Shakespeare, pois é o que eu penso agora, nesse momento, a fase mais HISTÓRICA da minha vida (!). Sei que meu blog anda muito pessoal ultimamente, mas não quero esconder que me sinto livre, pois quando me sentia presa escrevia sobre o assunto.

Pois bem, sou o que desejei ser por dois anos seguidos durante meu pré-vestibular, ALUNA da UFES de JORNALISMO. Foram tempos difíceis e cansativos, mas ai está a recompensa, lembro que imaginava todos os dias como seria quando eu visse meu nome no listão de aprovados: Estaria de madrugada em frente ao PC esperando a lista sair para ver meu nome e gritar desesperadamente.

Entretanto, não foi como imaginei, estava num dia tranqüilo, descendo do ônibus quando meu irmão ligou de São Paulo e disse: Você passou na UFES!
Minha reação foi abobalhada, saí correndo do ponto de ônibus para casa, todos me olhando intrigados na rua. Entrei em casa e realmente confirmei meu nome na lista, gritei, pulei e recebi umas trocentas ligações desejando parabéns.

Escutei minha mãe chorando no telefone e meu pai dizendo que era o melhor dia da vida dele. Pode ser que pareça sentimental demais, mas para minha família não é, eu e meu irmão somos a primeira geração a entrar na faculdade federal. É o início de uma longa construção, que será feita com toda a força do Mundo.

Optei por entrar no segundo semestre, pois ainda estou por terminar meu curso de RTV, que particularmente "atorommm" e não largaria por nada. Tudo coincidiu, meu curso termina no meio do ano e a UFES começa no meio do ano, será trama do destino? "Não sei, só sei que foi assim"... (João Grilo, O Auto da Compadecida).

Sinto que tudo está dando certo, e não temo medo algum de encarar a realidade que me espera, quero que os meses passem rápidos e intensos, só penso na UFES e sei que as pessoas ao meu redor devem estar de saco cheio disso, mas é o que há, serei caloura, serei aluna, serei uma futura jornalista (!).


PS: Para não deixar de fora meus amigos que merecem esse PS por participarem da mesma caminha que a minha: Leonardo, Kaio e Helison. "É nozes camaradas!"

PS do PS: Meu irmão também merece, afinal ele ainda não deixou de ser aluno da UFES de PP.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A melhor dupla e trio do Mundo



Acredito que todo o ser humano conhece o que é o amor de irmão, o laço fraternal, as brincadeiras e as brigas de sempre. Mas o meu sempre foi diferente, tive um irmão gêmeo, e por mais que as pessoas perguntassem: " vocês são idênticos?".NAÃO, não somos, pois eu sou mulher e ele homem, isso é lógica.

Pois bem, crescemos brincando entre si, chorando ao mesmo tempo, dividindo muitos brinquedos, e sempre compartilhando o mesmo quarto, admito, tínhamos medo do escuro. Minha mãe e irmã ficavam loucas conosco, quando pequenos bebemos detergente, pegamos catapora juntos, estudamos sempre juntos, na mesma sala, com os mesmos amigos e professores. Sim, sempre conseguimos compartilhar nossos amigos. Por volta da quarta série descobrimos nosso primeiro melhor amigo, o Patrick. Formamos então um pequeno trio inseparável, ás vezes eu olhava ao meu redor e via que todas as meninas da escola tinham amigas, mas eu não, tinha dois melhores amigos, e eles cuidavam de mim.

Crescemos juntos, os três, dividindo e compartilhando a amizade, a raiva, a fraternidade e as intrigas, éramos inseparáveis. Até que um belo dia o Patrick não pôde estudar na mesma sala que nós, no entanto isso não nos distanciou, no intervalo nos encontrávamos e ficávamos lá, parados em frente ao portão esperando o recreio passar, eu tinha medo daquela escola, e acredito que o Maycon também.
O tempo foi passando, nós fomos crescendo, sempre unidos, alternando as brincadeiras entre a minha casa, a casa do Patrick, e a rua.

Quando fizemos 13 anos, o destino nos separou, eu e o Maycon fomos morar em Porto Seguro e o Patrick ficou em São Paulo. Foi uma mudança rápida e inesperada, porém, muito triste e dolorosa. Tentamos manter contato com o Patrick, mas lá não era possível, então, sobrou nós dois, os gêmeos, para enfrentar a nova vida, e enfrentamos muito bem, na mesma escola, mesma sala, amigos e professores novamente. Por algumas vezes o Maycon ia em São Paulo visitar meu pai, e eu tinha medo de que ele resolvesse ficar lá e me deixar sozinha, mas para minha alegria ele sempre voltava.

Amadurecemos juntos, gostavámos das mesmas músicas, e não gostávamos de axé e carnaval. Em São Paulo o Maycon havia ganhado uma bateria, mas foi em Porto Seguro que ele realmente se dedicou em tocá-la. Formou a primeira banda, fez o primeiro show e se impregnou de música. Com pouco tempo fomos morar no Espírito Santo, senti que ele não queria se separar da banda, mas aceitou ir, sempre foi muito pacífico. Nos primeiros dias na escola lembro que sentávamos juntos, como de costume, e ficavámos calados, nunca fomos bons em fazer novos amigos tão rápido. Com pouco tempo os capixabas nos fez sentir em casa, conservamos grandes amizades com várias figuras incríveis, que prefiro não citar nomes para não haver ciúmes.

Com o tempo ele vendeu a bateria pois não tinha com quem tocar, e nós arrumamos um estágio juntos, fazendo o mesmo serviço: Cuidar de criancinhas atentadas. Definitivamente, não nos demos bem com aquilo!
Tudo corria bem, até que no ano seguinte apareceu a UFES em nossas vidas, a chance de concorrer por um vaga, ou melhor, duas. Fizemos a prova do PUPT, mas para minha infelicidade só eu passei, ele começou a fazer outro cursinho público. Foi a nossa primeira grande "separação" nos estudos. Estudávamos de manhã juntos, e a noite cada um no seu cursinho.

O que passou a me incomodar foi a escolha do curso, quase escolhemos a mesma área, ele publicidade e eu jornalismo. Daí, veio um grande baque, ele passou e eu não. Para mim foi um desastre dos piores, e ele ficou triste por tudo. Mas iniciou uma pequena longa jornada rumo a UFES, e eu rumo ao Vasco Coutinho com meu curso de R&TV. Foi a primeira vez em todos os anos que não tinhámos os mesmos amigos e as mesmas conversas, um tempo estranho, onde cada um, na marra, aprendeu a se virar sozinho sem o outro, pelo menos enquanto estávamos estudando.

Mesmo assim, passavámos grande parte do tempo juntos, inventando apelidos, assistindo as mesmas coisas, crescendo juntos. Até que ele finalmente encontrou uma banda, fizeram os primeiros ensaios, o primeiro show e isso foi o bastante para que voltasse a se impregnar de música, tudo que ele sempre quis. O Patrick estava lá, pela internet crescido, rockeiro, com uma banda, e a vontade de levar tudo a sério, não vimos ele crescer conosco, mas o trio inseparável sempre esteve em nossos corações.

De repente, de súbito impacto o Maycon e o Patrick se unem e resolvem levar a música à sério, estudá-la juntos, novamente, depois de tanto tempo. A princípio eu achei que não passava de uma mera vontade, mas com poucos dias vi meu irmão se render à música, largar o curso de publicidade na UFES, se despedir dos amigos, enfrentar meu pai, e partir de malas prontas pra Sampa, em busca da tão sonhada música. Chorei, pela primeira vez vi meu gêmeo partir pra longe de mim, tão rápido. Lembro que em uma conversa com o Patrick pela internet ele me disse: " A gente volta pra te buscar". E essa frase me deixou emocionada e com a certeza de que eu sempre vou tê-los comigo.

Talvez eu não precise que me busquem, acho que meu lugar é aqui, tudo que quero está aqui, por isso entendo a escolha do meu irmão em ir, tudo o que ele quer está lá. E hoje estamos assim, ele lá com o Patrick e eu aqui, parece até destino, o antigo trio de três crianças pequenas hoje está mais vivo que nunca. Pode parecer que faz tempo que o Maycon viajou, mas só faz uma semana, para muitos pode parecer melancólico eu escrever a tragetória da nossas vidas só porque meu irmão viajou, mas eu sei que só nós dois entendemos nosso laço, somos mais do que irmãos, somos gêmeos.




Magalli Souza

sábado, 16 de janeiro de 2010

Uma de minhas revoltas



Numa noite quente, no Espírito Santo, em pleno terminal estava eu, voltando do curso pré- vestibular. Cansada, mas com um leve ânimo para acompanhar algumas colegas e esperar o ônibus. Numa das conversas do pequeno grupo de quatro garotas jovens, das quais duas eram brancas, e duas pardas (incluindo eu), escutei a seguinte frase:
- O irmão da "fulana" é filé, tava doida pra "pegar" ele, pena que é preto!
Ao ouvir essa frase não acreditei no que estava presenciando, racismo em pleno século XXI. Subitamente perguntei:
- E qual é o problema em ser negro?
E antes que a autora da frase respondesse houve uma intromissão com o seguinte comentário:
- Ah, eu também não fico com preto não. No máximo moreninho.
Nesse momento me senti um peixe fora d'água, um sentimento de repulsa envenenou minha mente, calei. Tive vontade de sair e ir para longe de pessoas tão... ignorantes e estúpidas. Virei em busca do meu ônibus, mas ele ainda não estava lá. Foi quando percebi que a palavra "couro" era usada como um sinônimo de "homens":
- Tô com um "couro" ai, mais não dá em nada não.
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Aquela noite me fez calar por Algum tempo. Permaneci estarrecida e indignada, sou de uma família negra, sou negra, mas por ser um pouco mais clara colocaram em minha certidão de nascimento que sou "parda", apenas uma denominação para não dizer o correto: Negra. Meu irmão gêmeo é negro, minha mãe é negra, minha avó é negra,e são todos importantes demais para mim, é incomum escutar comentários tão sórdidos.
Me indigno com o meu país, um lugar mestiço de índios e negros, no entanto, racista. É preferível ser chamado de pardo ou moreninho, ao invés de negro. Opa! negro é ofensa, agora é afro-descendente e olhe lá. Fico a observar alguns capixabas descendentes de italianos, que se acham no direito de ser melhores, se vangloriam por ter um sobrenome diferente e confuso, esquecem-se que os imigrantes italianos vieram para o Brasil na época de escravidão cafeeira, eram escravos iguais aos negros.Porém, são brancos,nesse caso a escravidão não importa.(!)
E o Brasil, o país do futuro, visto lá fora como o lugar de todas as raças e etnias é controverso dentro de suas próprias raízes. Gostaria, que todos revelassem seus perconceitos, pois seria melhor ver uma pessoa realmente como ela é e pensa, ao invés de conhecer máscaras que encobrem podridões.






Magally Souza

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ao Querido Nada


Nessas férias confusas, monótonas e ociosas resolvi escrever, e o meu tema é: NADA. Isso não quer dizer que não tenho nada a dizer, mas que quero falar do Nada, só isso. O Nada pode levar o ser humano a produzir, é por isso que eu estou a digitar. Percebi que o Nada me faz muita companhia. Desde Dezembro todas as manhã quando acordo às 10:00, cismo em ficar na cama, com os olhos abertos olhando para o teto, o Nada me faz companhia nessas horas.
Sempre quando vou tomar banho e não há como escutar música, penso no Nada, e me sinto com a mente flutuando. Até quando tento assistir Tv à tarde involuntariamente chamo pelo Nada, digo: "Não passa Nada que preste!!". Nas minha leituras, paro ás vezes, me desligo do mundo e dedico um pequeno tempo ao Nada. Surpreendentemente já imitei o Nada, quando alguém me perguntou: "O que está fazendo?", e eu respondi:
- Nada!
O Mundo inteiro explora o Nada e não sabe, só eu nesta postagem disse, até agora, 13 vezes a palavra Nada, fora às que virão. Não adianta negar, todos já fizeram Nada, mesmo que usem sinônimos para denominá-lo, como: Ócio. E já que exploramos tanto o NADA, porque não dedicar está postagem a ele?. Farei.
E como o Nada costuma ser breve quando me faz companhia, serei breve também, pararei por aqui. Irei agora fazer NADA, de novo.