segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Untitled #00



Olha só, meu amigo, não sou de ladainhas, também não sou de chamar as pessoas de “meu amigo”. Acho falso. Mas dessa vez tem propósito, quero usar essa expressão ­- que não por acaso exala falsidade - para lhe explicar umas coisas. Você é humano, amigo. E humano caga, igual a um animal. Humano também fede, talvez até pior que um animal. Humano come porcaria, fica doente e pode apodrecer igual a fruta passada se não for cuidado. Humano é isso, é algo sensacional e inacreditável, mas é podridão também.  E podridão credível. Igual a aquele lixo que você tira da sua casa toda terça, quinta e sábado e bota na rua para o caminhão recolher, não tem? É isso! Você e eu e sua mãe e seu padrasto e seus amigos e o cachorro e todo mundo.

Vou continuar lhe chamando de amigo, ok? Porque é dessa forma que se diz muita frieza com um filtro de pureza morna para enganar algumas mentes. Mas saiba que não me sinto melhor usando essa expressão. Vamos lá, continuo. Um dia você me disse que é difícil viver. Concordo. Viver é pior que jogar Resident Evil em Playstation 1 na fase final onde não se resolve mais nada e você tem 10 anos de idade e não sabe o que fazer. É mais complicado que qualquer série de luta contra o extermínio da raça humana. É tudo isso sim. Mas, sabe aquela hora em que você aperta o “Start”, vai na geladeira, encontra suco natural bem gelado e bebe? Não dá uma sensação estranha, uma espécie de algo revigorante? Só quero dizer que isso também é viver. Pode ser fácil se a gente deixar. 

Não pense que todas as vezes que jogo meu corpo na cama e fecho os olhos, consigo pensar com otimismo na minha rotina. Não existem rotinas boas o suficiente para nós humanos. Tem dias que durmo com o pessimismo mais feroz que o mundo inteiro já sentiu. Tem dias que descanço com um toque de violão pairando na minha mente, onde tudo faz sentido. É como os mais velhos dizem a todo o tempo para justificar tudo ao nosso redor, há dias e dias. Mas, não há sorte, tá bom?

Então aceite isso, amigo. É uma bosta ser sempre o inconformado. Fica até meio chato. É por isso que você precisa sempre lembrar-se que somos a melhor invenção de todos os tempos da face da terra, mas também somos podres, nojentos, ruins e nada perfeitos. Equipare dentro de sua mente todas essas nossas características...boas e ruins, porque ninguém aguenta só os bem feitores ou só os carrascos. Misture tudo. Lembre e esqueça-se de tudo a todo o momento. Viva bem assim. Porque viver não é uma escolha sua, é uma imposição – a não ser que você queira se matar e acabar com tudo, o que acho improvável – então só tente amadurecer, ser um pouco melhor. E ‘fudemo-nos’ todos juntos essa vida.

Magalli Souza Lima

domingo, 30 de setembro de 2012


Que o vômito de minhas palavras cuspidas, um dia validem essa tão esperada tentativa de fuga.  Pois não são só palavras que jogo aqui, são vertentes de um ser perdido que não busca por ajuda. Não precisa de ajuda. Precisa encontrar o lugar que lhe traga a mais quente das sensações de viver. E não há pessimismo nessa sentença de esperança. Há a dor de um esforço que nem sequer sabe se algum dia será reconhecido. 

Essa obscuridade do futuro assusta até a mais confortada das almas. O sobe-desce de pessoas ao seu redor, cada uma mais significativamente pior que as outras. Todas imperfeitas, todas lindas... ridículas...maravilhosas. 
Pessoas enigmáticas são arrebatadoras. É isso que aprendo aos murros.

Alguém espalhe em mim uma pitada de realidade, pois até agora vivo para e por minha própria visão de mundo. Influenciada, é claro, pelas mais diversas admirações em formato de mentes doentiamente magníficas.  Desgastada pela insignificância dos padrões de "quero ser".

E fico na espera de que algum dia essas palavras mofadas, e brutas de leve, se validem como solução para o conturbado mundo das sensações de viver. Exatamente essas palavras.

... 







quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Hipocrisia

Sabe aqueles ditados que dizem sobre cuspir no prato que comeu? Então, por mais chulos que possam ser, se aplicam a algumas situações do cotidiano. Eu já devo ter cuspido no prato comi, deveras. Todos nós somos assim. Mas, me estarrece  uma pessoa que cospe, vomita e ainda quebra o prato que lhe serviu algum dia.  Pois bem, vamos parar de metáforas, o que eu quero falar é sobre cotas.

Sou estudante de uma Universidade Federal, sou cotista pela minha condição social. Na época, foram cerca 25 por cento das vagas de cada curso, destinadas a cotista socais. Foram tempos de muitas discussões nas aulas do pré-vestibular, formado só por cotistas. Haviam os cotistas que não se importavam com porra nenhuma, queriam apenas as cotas, e as defendiam da forma mais idiota possível. E haviam aqueles que tentavam entender toda aquela questão.

Confesso que quando esse benefício apareceu,  fiquei com receio em aceitá-lo. Será que não era um preconceito contra mim mesma aceitar as cotas socais? Não. Não era. Nunca foi. E olha que eu demorei a entender. Só entendi mesmo, quando uma professora nos deu "um tapa na cara" em uma aula de literatura. Tuca, o nome dela. Nos disse sobre nossa condição. Sobre a demora da melhoria nas escolas públicas. Sobre a nossa ÚNICA oportunidade de estudar para o pré-vestibular naquele cursinho preparatório que nem, ao menos, era oferecido pelo governo. Iniciativa privada.

Vergonha? Por que vergonha em aceitar uma "reparação" que o governo, incapaz, teve de oferecer para tentar ver alguma mudança na história de ensino público superior?. Não, as cotas não são a melhor forma de se "reparar" uma educação deficiente. Mas, se é a única forma possível no momento, é preciso pararmos de gracinha, e aceitá-la. E foi isso que fiz. Aceitei. Sem vergonha alguma. Inclusive, hoje, estudando na Universidade Federal do Espírito Santo, arrisco-me a dizer que sou uma ótima aluna em minha turma. Cotista e ótima. Com toda a modéstia. Mas, é claro que não sou cega. Existem os cotista que entraram lá e largaram o interesse na porta de entrada do campus. Mas isso é caso para outra discussão. Isso é sobre interesse.


A questão que quero levantar é: Sei que as cotas não são um milagre da educação. Sei também escutar e até aceitar os argumentos de quem não é a favor delas. Mas, sempre recusei, de todas as formas, a ter que engolir as palavras sujas daqueles que são cotistas sociais, alcançaram a vaga que queriam, estão exatamente onde sonharam,  e hoje, diante das vagas reservadas para negros, têm a cara-de-pau de dizer: Cotas raciais não passam de preconceito!

Sabe o que é preconceito?  Preconceito é aceitar as cotas socais, se beneficiar e depois cegar-se contra a própria história de seu país, e ser contrário às cotas raciais. Então quer dizer que quando se trata sobre seu benefício, você aceita. Quando se trata sobre beneficiar a raça que mais sofreu e ainda sofre no brasil e no mundo, você é contrário. Parabéns, só não o chamo de idiota, porque acabei de chamar.

Sabe quantos negros tem estudam na minha sala? Três. contando comigo. Na universidade inteira? Acredito que não passa de 15 por cento.

Ao meu ver, quem é contra as cotas socais E RACIAIS. É mais íntegro do que quem aceita uma, para o próprio benefício, e recusa a outra porque não passa de um egoísta.  Isso sim é ser racistas. Aquelas típicas pessoas que, em suas épocas de cursinho,  defenderam as cotas socais com o argumento de que nem todos são iguais, porque não vivem a mesma realidade. E agora, bradam sem vergonha alguma afirmando que todos são iguais sim,  e diferenciar um do outro é preconceito. 

Um (DES)conselho para vocês, não se levem a sério. Jamais.








Magalli Souza Lima















quarta-feira, 25 de julho de 2012

Há tempos não apareço aqui. Não por falta de tempo, nem por falta de vontade. Acho que travei, andei lendo demais, quando leio e passo a amar alguns escritores, não consigo escrever, fico apenas mergulhando nas obras e me imaginando ser tão foda quanto eles na escrita.

Continuo morando no segundo/terceiro andar. Segundos/terceiros andares perseguem minha família. Estamos sempre no alto, sempre olhando as pessoas de uma perspectiva superior. Mas isso só se aplica à moradia. E temos uma longa varanda com rede de dormir e passarinhos por perto. Muito inspiradora. Mas as ruas aos arredores são paradas, monótonas, cheias de velhas  e velhos ranzinzas que implicam com os barulhos daqui de casa. Resumindo: Varanda linda, mas não pode usá-la para confraternizações com amigos bêbados e música alta. 

Continuo morando com meus amores, mas não trago novos amores. Apenas aqueles que não sabem que são meus amores. Não por falta de coragem. Por falta de vontade de dizer mesmo. Viro amiga e pronto, já é o suficiente para ver as palavras burras que soltam de vez em quando e os pensamentos tolos que voam das cabeças deles. Enfim, e a vida segue, com uma rotina menos dura e mais viva.

sábado, 5 de maio de 2012




Quantos traumas você sofre por semana? Venho me perguntando isso há algum tempo. Será que as pessoas têm esse tipo de pensamento.(?). Ao menos algumas delas deveriam ter. Aquelas que vejo nos terminais de ônibus, nas passarelas da universidade, nas ruas dos bairros por onde passo. Torço pra que algumas delas se perguntem sobre isso, epenas uma. E que essa "uma" não seja... eu.


Quantos traumas você sofre por semana? Eu sofro sete. Um por dia. Trinta por mês. Fragmentos deles por minuto.
Quando me cobram por algo que não quero fazer. Quando me impõem lições. Quando a vida sorri clara, mas me intimida nessa fria rotina. Quando acordo mal, quando acordo bem. Quando penso que viver não deveria ser se submeter às vontades alheias. Até quando desconhecidos me encaram torto. Até quando eu mesma me intimido.


E você? Quantos traumas você sofre por semana? Não me pense na reposta, não me faça acreditar que estou nessa às tralhas. Percebi que cada trauma já se incorpora perfeitamente em mim, às vezes até tentam vir amenizados. Por outras, vêem repetidos, devagarzinho, sem quererem incomodar. Mas não adianta, são traumas, todos são traumas. Até respeito-os, se não fossem por eles, não estaria assim. Fria e quente, calma e eufórica, morta e viva.
Traumas não têm cura. Eles passam, como romances platônicos, amores perdidos. Então, vivo em prol de me livrar de um, e me render a outro.



Mas, são sete traumas por semana. São muitos. Fico me perguntando, novamente, será que nunca vou me livrar deles. (?). Será que todos são assim, quantos traumas você sofre por semana?



domingo, 18 de março de 2012

Futebol é chato. Programas de TV no domingo também são chatos. conversas mecânicas são chatas e irritantes. Pessoas superficiais são extremamente chatas e... a superficialidade é chatíssima. Ter conta no banco é chato. Não ter dinheiro é estupidamente chato. Não ter tempo para o ócio é horrivelmente chato. Não ter um bichinho de estimação também é muito chato. Envelhecer é nostalgicamente chato. Mas amadurecer é chato e bom. Ler sem vontade é chato. Engordar sem perceber é mais que chato. Se sentir feia em dias não propícios para isso, é chato. Gastar o dinheiro dos pais é bem chato, mas a gente acostuma. Não ter sobremesa depois do almoço é tristemente chato. Se despedir das pessoas é chato. Saudade é boa, mas é chata. Tristeza é criativamente chata.  Não ter assunto é chato. 

É tanta coisa chata na vida, que quando se encontra algo bom, a gente ama de verdade. A fim de que o amor apague as drogas chatas da vida... Mas, o amor não ofusca as coisas chatas. Ele só nos faz não nos importarmos com a existência das coisas chatas. E depois que ele passa, tudo volta a ser chato. O mundo é chato, as aulas são chatas, os parentes ficam a cada dia mais chatos. As pessoas felizes são chatas. As tardes sem músicas são incansavelmente chatas, os chefes são filhos da puta chatos. É chato sentir tudo chato.


domingo, 11 de março de 2012

Café

Sempre ouvi dizer que quem tira as bordas do pão, bom sujeito não é. Pois é, não sou uma boa pessoa. Não consigo comer aquelas cascas secas do pão. Coloco café no copo e também não consigo beber tudo. Sempre deixo um pouco no fundo. É que no fundo, se aglomera uma nuvem preta de café, não é ruim, mas não dá vontade de beber. E eu, eu só faço o que me dá vontade. As coisas bobas da vida, eu só faço se quiser. Porque pelo menos assim, sei que posso escolher alguma coisa na minha vida. Já bastam as que eu não posso escolher. A parte burocrática da ‘real life’. Estudar, trabalhar, pagar contas, acordar cedo, ser educada, usar calça jeans no calor. Putz. Usar caça jeans no calor é a pior parte. Não menos pior que agradar pessoas que eu não quero. Não menos pior que almoçar sem fome. Não menos pior, nem sei se essas três palavras juntas podem soar corretas e harmônicas.  Só sei que a vida é uma grande, enorme, gigantesca mentira disfarçada de boa pessoa. E eu não quero ser assim. Sou ruim. Sou chata. Sou egoísta quando quero. Sou rancorosa, sou ruim. Sou ruim sem querer ser, só por natureza. Você não me engana vida. Nunca conseguiu.